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A Peste

A máxima de «ver, julgar, agir» é, e será sempre, actual, pois permite-nos observar, avaliar e solucionar os problemas e os desafios que nos são colocados. Escolhi, desta vez, o tema «A Peste», contudo não vou falar nem da Peste Negra que varreu a Europa, na Baixa Idade Média, nem de um dos quatro Cavaleiros do Apocalipse. Vou falar, isso sim, da Peste que varre este nosso mundo, principalmente no hemisfério sul – a sida.

N/D
22 Nov 2004

No fim-de-semana passado, assisti a uma reportagem, num canal por cabo, sobre o drama social que a sida é, na África do Sul, e por comparação em quase todos os países da África sub-saariana.
Na dita reportagem, era afirmado que dentro de meia dúzia de anos, naquele país africano, desapareceria toda uma geração – a geração adulta, provocando uma multidão de crianças e jovens órfãos e de idosos desamparados. Informava o repórter que, por dia, ficavam órfãs cerca de 300 crianças.

Na verdade, mais do que em qualquer outra parte do mundo, a África é vítima desta peste dos tempos modernos. Para a sida ainda não há cura, podendo, apenas, serem minorados os seus efeitos através da acção de alguns medicamentos. Parece mesmo que o apocalipse se abateu sobre aquele continente, pois depois da Fome e da Guerra, só faltava a Peste para fazer o trabalho da Morte.

O mais grave, além da própria doença, é a posição autista que alguns governos africanos tomam, ao não assumir a realidade de que grande parte da sua população está infectada com o vírus HIV. Ao tomarem tal atitude, não lançam planos de prevenção, informação e de distribuição medicamentosa pelos afectados.

Depois, há a luta de interesses, no caso da produção de anti-retrovirais (medicamentos), entre as multinacionais farmacêuticas e os Governos. Estes últimos pretendem produzir uma espécie de genéricos dos medicamentos, baixando muitíssimo o seu custo, e as multinacionais não o aceitam pois «perdem lucros». Será que existe maior lucro que salvar uma vida humana, prolongar a sua existência, ou minorar o seu sofrimento?

O nosso bom povo português diz «o que está remediado, remediado está» querendo dizer que ao que está feito, não há nada a fazer. O problema existe e o nosso país está entre os países da União Europeia com maior taxa de deflagração da sida. É preciso informar as pessoas sobre os riscos que têm ao terem comportamentos susceptíveis de serem transmissores da doença: toxicodependência, promiscuidade sexual, falta de cuidados de higiene em casos de perda de sangue, entre outras.

Depois, é imperioso olhar para aqueles que são envolvidos no drama da sida, como as crianças que ficam órfãs, os cônjuges e outros familiares. Há que apoiar estas pessoas e falar deste flagelo, pois é da discussão que nasce a luz.

Deixemos a atitude hipócrita de não falar no assunto, fazendo de conta que ele não existe, enfrentemos a realidade.




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