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No reino de Esculápio

A justiça persegue os falsários e trapaceiros… e nem todos o são.

N/D
21 Nov 2004

É o caso duma falsa psiquiatra, Beatrice, que assentou arraiais em Nova Iorque. Ela era simplesmente uma bailarina francesa, mas entrou em acordo com um psiquiatra americano no sentido de trocarem, por algum tempo, as suas moradias. Ele veio para Paris habitar o apartamento de Beatrice e ela foi ocupar o apartamento e consultório de Henry Harriston, em Nova Iorque.
Só que ela não se contentou em substituir Henry na habitação: fez-se psiquiatra outrossim no consultório e começou a dar consultas. Foi um sucesso rotundo. É que a falsa psiquiatra era dotada duma “enorme ternura para quantos a rodeavam.

Os clientes melhoravam, recompondo-se de problemas que se arrastavam penosamente”. Os seus poderes curativos estendiam-se a todos os vizinhos e até aos animais e plantas, que rejuvenesciam com a magia que Beatrice espalhava à sua volta. A simpatia e cordialidade venciam todas as barreiras e curava todos os males do foro psiquiátrico e até físico.

Este é no fundo o argumento do filme “Um divã em Nova Iorque”.

Falsos médicos e outros que tais aparecem em qualquer cenário, nacional e internacional. E não queremos aprovar o seu estatuto. Queremos apenas realçar a importância da simpatia, abertura e amizade do relacionamento social, sobretudo daquele que faz parte do exercício duma profissão, pública ou privada.

Quando essa simpatia é sincera, independente de interesses concorrenciais, ajuda a aliviar a atmosfera social tão cheia de stress, nervosismo e confusão.

Admiro os médicos que têm uma palavra de conforto para com os pacientes, que se interessam pelo seu contexto social e familiar e que não se limitam só a perguntar: “De que se queixa?… Vá tomar estes medicamentos e fazer esta e mais esta análise…”

Afirmava Eça de Queirós, n´Os Maias, através dum diálogo entre um juiz de direito e Afonso da Maia: “Num país em que a ocupação geral é estar doente, o maior serviço patriótico é incontestavelmente saber curar” (cap. IV).

No passado como no presente, é bem verdade que uma grande parte da população anda doente, ao menos da cabeça e das drogas, receitadas por médicos ou sem sê-lo. As drogas só falta trazê-las suspensas no interior dos casacos, como mostrava em tempos a televisão.

Fala-se muito de drogados, referindo-se aos tóxicodepen-dentes, e não se fala dos outros que abusam dos fármacos. Não contradigo a sua necessidade, mas o seu excesso e abuso indiscriminado.

Outro mal dos tempos actuais é o isolamento das pessoas e das habitações. As pessoas vizinhas vivem como desconhecidas. Não se saúdam e fazem crescer plantas a vedar as vistas das casas, vivendas e quintais. É um mundo completamente fechado aos outros. Só que este isolamento não é saudável física e psicologicamente.

Outro aspecto importante da vida global é o optimismo. Afinal, as coisas não são tão más como parecem. O sol continua a levantar-se todos os dias para iluminar e aquecer o mundo.
Afirmava Sir Winston ChurchilL: “O optimista vê oportunidade em qualquer mal; o pessimista vê mal em toda a oportunidade “.




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