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Ensino ou investigação?

O prestígio de algumas Universidades como Yale, Stanford ou Harvard, tem vindo a diminuir porque a qualidade de ensino já não é o que era antigamente.

N/D
20 Nov 2004

Por outro lado as matrículas em estabelecimentos de ensino privado estão a aumentar de ano para ano, apesar do valor elevado das propinas. E porquê?
A razão está em que as Universidades estão a dar pouca atenção ao ensino para satisfazer grande parte dos professores que preferem dedicar-se à investigação do que leccionar.

As verbas atribuídas às Universidades são prioritariamente encaminhadas para projectos “de ponta”, com tecnologias avançadas e aquisição de livros caríssimos, em detrimento do atendimento aos alunos, para quem fica uma pequena fatia das referidas verbas.

As Universidades sentem a diminuição do número de alunos que não é só devida à fuga para os chamados “colleges”, mas também devida à diminuição da natalidade e à fraca preparação com que os alunos acabam o Ensino Secundário.

Entre nós a afluência ao Ensino Superior é muito grande, mas quantos desses chegam ao fim?

Uma grande parte fica pelo caminho ou então, com a crise de emprego que há, ficam-se pela Universidade anos a fio, procurando, com manifestações e contestações conseguir a eliminação do pagamento de propinas ao mesmo tempo que vão beneficiando dos Serviços Sociais e das suas cantinas.

Entre nós existe uma percentagem bastante grande de estudantes-trabalhadores, isto é, os que pagam os estudos e o alojamento com o dinheiro que ganham num emprego. Normalmente demoram mais tempo a acabar o curso, mas são reconhecidos pelos professores que apreciam o seu esforço.

Estão longe dos meninos-bem, que vão de carro para a Faculdade e arrastam-se por lá anos a fio, em vida boémia, tirando, muitas vezes, o lugar a outros mais merecedores.

Mas o problema que eu ponho, quanto à diminuição da qualidade do ensino prende-se com a opção dos professores que preferem a investigação à docência, quando esta devia ser a primeira das prioridades.

Não estou com isto a menosprezar a investigação – com ela conseguem-se descobertas que podem melhorar a qualidade de vida de todos nós.

Só estou contra aqueles que depois de terem consumido largas verbas na sua preparação académica, não querem leccionar, porque: “escrever é a maneira de ser rico e fazer nome.

Assim, alguns professores (se é que se lhes pode chamar assim), consideram o tempo de ensinar como tempo perdido para publicar. O ensino não traz perspectivas de trabalho; a publicação de um livro, sim”.

Alguns defendem uma solução que me parece bizarra: no início da carreira os formados devem dedicar-se à investigação e publicação de trabalhos, e depois, quando mais experientes, não percebo bem como, pois estiveram afastados da docência, tomem o ensino como principal prioridade.

E por que não o contrário? E por que não optar pela criação dos anos sabáticos? Durante um ou dois anos o professor suspendia a leccionação para se dedicar à investigação.

As Universidades estão a diminuir as áreas de investigação e a aumentar o intercâmbio dos alunos.

Com menos verbas conseguem resultados satisfatórios. Os pró-prios gestores dos estabelecimentos de ensino querem que os professores passem mais tempo nas aulas e para isso criam incentivos e estímulos – estavam a ver os seus estabelecimentos à beira de um colapso.

Por cá vigorou durante muito tempo um esquema que para mim era insólito – os professores (!) com horário «zero», isto é, sem tempos lectivos.

Parece que o Ministério da Tutela vai mesmo mandar regressar às salas de aula os professores-burocratas, isto é, aqueles que trocaram a tarefa de ensinar, pelos serviços de secretaria, com muitos contras: primeiro porque o Estado investiu muito dinheiro na sua licenciatura e segundo porque um funcionário administrativo é mais competente e vocacionado para isso.

Quanto à investigação não tenho nada contra, se o Governo souber fazer parcerias com as empresas do sector privado para sustentar os custos da investigação. Afinal são as empresas as grandes interessadas na investigação, é pois normal que participem em boa parte das despesas que tal acarreta.

Deixo aqui um voto e um pedido aos verdadeiros professores – não se deixem embalar na euforia da investigação e passem os alunos para segundo plano, porque eles são a principal razão da função de professores.

Professores que não leccionem são com médicos e enfermeiros que não tratam de doentes, como comerciantes de porta fechada, como industriais só de nome e empresas fantasmas, advogados que não defendam causas, etc.




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