Fotografia:
A objectiva de acbrito@netpontosapo

Caí na objectiva grande angular de acbrito@net.sapo.pt? Apanhou-me sobre Outro ponto de vista. Que raio de sorte a minha. Lembrei-me logo dum amigo que me tem vindo a ameaçar com a soltura das feras. Mas em que posição é que ele se colocou para me fixar?

N/D
19 Nov 2004

Ele, que eu considero um político de “nova geração”, sempre em movimento, o chamado político de passeio, com a síntese ao canto da boca, a clareza no bolso, a evidência no tom e sempre, mas sempre atento e disponível para marcar a agenda, afirmar os princípios, demonstrar a bondade dos “pontos de vista do seu partido”.
Fervilhará ainda, na memória de todos, como um flash que nos iluminou, aquela sua intervenção na Assembleia Municipal, sobre a Agere e, passo a citar: “Por mim privatiza-se tudo!”

Ora então, parece, segundo o próprio que acbrito@net.sapo.pt. apanhou um susto. Confessa, “em resultado da leitura (que terá feito?!) de uma entrevista do seu administrador (do Teatro Circo, eu mesmo) que não existe um plano estratégico para rentabilizar aquele espaço”. Estamos efectivamente na época dos sustos! A Noite das Bruxas foi há pouco.

O São Martinho foi no dia anterior à publicação confessa. O Congresso do PSD, foi logo a seguir… o que, espero, também lhe não tenha dado condições de descanso.

Decidi responder agora para dar tempo ao assustado. Após este período tão alucinante.

Passemos então à terapia do susto!

1. Ac.brito não soube fixar a objectiva e a fotografia foi tremida, enganosa. Por maldade, pensarão alguns. Eu digo que não e que o problema de Ac.britopontonet, é não ter jeito para se fixar num ponto e analisar, reflectir sobre o melhor ângulo. Ele não tem jeito para agarrar na câmara, embora sonhe com isso. Em suma, eu não disse em nenhum momento da entrevista, nem vem escrito na mesma que “O Teatro Circo não tem um plano estratégico para rentabilizar o espaço”. È abusivo tirar essa ilação.

2. O que está dito sobre esta pretensa matéria é que sobre o modelo de gestão do Teatro Circo a administração, em devido tempo, fez o que lhe competia, ou seja, reflectiu sobre um modelo de gestão e programação sustentado, e que em devido tempo será tornado público. Sobre a questão estratégica leu mal, ou não sabe ler, o que pode justificar as ilações que tira. Em dois passos da entrevista se aborda a questão estratégica.

Num, para afirmar que o país está a sofrer uma forte transformação qualitativa do ponto de vista das infraestruturas culturais… e que continua a não haver uma estratégia política de sustentação desses espaços, a sua gestão em rede e que isso implica um corte radical nas práticas seguidas no terreno, quer por parte dos criadores quer por parte dos governos… Depois dou o exemplo da má gestão estratégica por parte do governo, (como exemplo acabado de não reflexão sobre o território) com os investimentos em equipamentos culturais em curso na Grande Área Metropolitana do Minho, afirmando que não há nenhuma ideia estratégica para isto funcionar.

3. A não ser por razões disfuncionais do equipamento, o seu “outro ponto de vista” faz-me lembrar o sujeito que estando a dormir, bêbado, na mesa de jogo, os amigos desligaram a luz e mandaram-no jogar. Ele, acordando, desatou aos gritos a dizer que estava cego!. Não leu tudo, fez mal. A entrevista é boa. Tem por trás muitas horas de reflexão, de discussão e de preocupação sobre estas matérias; de discussão séria com pessoas das mais variadas áreas que se preocupam com estas questões. Questões essas, transversais e fundadoras de uma sociedade portuguesa mais madura, mais democrática, mais educada e mais culta, mais europeia e menos xenófoba, com mais dúvidas e menos certezas.

4. São preocupações que o meu amigo também devia mostrar ter, como cidadão e como responsável político, porque estão para lá das questiúnculas partidárias. A problemática do país cultural e as tentativas de ultrapassagem do seu estado letárgico precisa de disponibilidades e contributos que estão antes da partidarite. Não se resolvem com a urgência dos 3 linguados para o jornal. Nem tudo que mexe é culpa da Câmara e o Acácio Brito, já não consegue ler o que foi dito. É primário na sua análise e básico no resultado.

5. Porque o senhor não tem autoridade moral para “entender” que o que foi dito recai na ausência de estratégia do Teatro Circo, garanto-lhe que o Teatro Circo tem o trabalho de casa feito e que este como outros governos o conhecem e, sem petulância, o reconhecem. O problema é outro e de outra ordem. Desafio-o a escrever sobre o que pensa o Governo desta matéria.

A “sua” secretária de Estado da Cultura, que 3 horas antes era da Defesa e que ainda hoje não sabe que áreas dirige, dar-lhe-à uma mãozinha decerto. Desafio-o a explicar o pensamento do Governo, (nas áreas da criação artística e cultural à luz dos equipamentos em curso) para a Grande Área Metropolitana do Minho. Que estratégia tem, que meios financeiros disponibiliza para, através da contratualização de conteúdos, com as Autoridades locais, poder garantir um crescimento cultural sustentado das populações e assim rentabilizar esses mesmos equipamentos.

E o mesmo para o país. Informe-se e fale-nos disso. Talvez possamos abrir um belo e profícuo debate sobre cidadania. Mas não me venha com essa demagogia barata, gasta, que só o diminui, do “será pago pelos contribuintes”. Claro que em Portugal como na Europa (aí está uma matriz identitária europeia) o entendimento que se faz dos bens culturais, da criação artística, é que deve ser suportada pelo Estado, logo pelos cidadãos.

São esses bens e essa criação que marca os sinais do futuro e sustenta a nossa identidade de Velho Continente. Quando diz “será pago por nós contribuintes” estará a querer dizer apenas “por mim privatizava tudo?” O Acácio Brito vive num país que nem sequer cumpre uma recomendação es-tratégica europeia: 1% do Orçamento do Estado para a Cultura. A sério, a sério nem ao 0,5% chegamos.

P.S. Convido-o a ir ver a MORTE DE JUDAS de Paul Claudel.




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