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A degradação da escola

Estava hoje à espera de minha mulher, professora na Escola Carlos Amarante, quando reparei que, ao meu lado, alguns rapazolas, provavelmente alunos do mesmo estabelecimento de ensino, daqueles que andam de ténis e calças de ganga largas, no fundo do rabo, correntes de ferro a saírem dos bolsos, se entretinham a rebentar a pontapé uns sacos de plástico preto cheios de folhas que os varredores da Câmara tinham recolhido e encostado a uma árvore.

N/D
18 Nov 2004

A certa altura um senhor que devia estar igualmente à espera de alguém, saiu do carro, dirigiu-se aos vandalozinhos e perguntou, com toda a calma, educadissimamente, sem sequer levantar a voz:
– Por que é que estão a rebentar os sacos de plástico? Então andaram os funcionários da Câmara com este trabalho todo e vocês vão outra vez sujar tudo?

Um dos do bando apenas disse que não tinha sido ele. E as coisas ficaram por ali. O senhor voltou para o carro. Passado pouco tempo, chegou a esposa que eu, por acaso, conheço de vista, porque também é professora na Carlos Amarante, entrou no carro e arrancaram muito devagar devido ao trânsito.

Pois nesse momento, um dos patifezinhos que entretanto se tinham reagrupado, pegou num dos sacos e atirou-o contra o carro já em andamento. Como viram que o condutor parou e vinha ter com eles, deitaram a fugir que nem laparotos.

Isto é um exemplo, entre muitos outros, do ambiente que se vive nas escolas. É um ambiente de permissiva impunidade. Os alunos vão para lá não para se educarem, mas para se deseducarem. É preciso dizê-lo: neste momento, as escolas são lugares mal frequentados, são lugares de deseducação. Sei, pelo que minha mulher me conta, que os professores são insultados, ameaçados e, por vezes, até agredidos.

Perante isto, é óbvio que não estamos a formar cidadãos, mas criminosos. A reacção destes díscolos que hoje observei é a prova disto mesmo. Hoje atiram um saco de folhas contra quem nem sequer os repreendeu, mas apenas perguntou por que faziam aquilo; amanhã, reagirão a tiro ou à facada.

Vicente Jorge Silva, em célebre intervenção no Público, chamou a estes homúnculos “geração rasca”. Não sei se são eles apenas ou também os pais que os não educaram.

Mas que são mesmo rascões, lá isso são! E não é por acaso que me refiro aos pais. É que foi um político socialista da geração deles que, há uns anos, atirou cá para fora uma das maiores e mais perigosas bojardas que se podem dizer acerca do ensino.

Disse ele que a escola não tem nada que transmitir valores!!! É um autêntico crime!

Esse senhor devia estar preso porque contribuíu certamente para a bandalheira generalizada a que assistimos.

Não posso deixar de sorrir com ironia quando ouço falar em “Escola Segura”. É que as grandes ameças à segurança não estão fora da escola. Estão dentro! Os agressores, os drogados, os passadores de droga, os ladrões, os abusadores sexuais, estão lá dentro. São os próprios alunos! Hoje, quem tem que ser defendido é quem anda cá fora!




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