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805. Senhora ministra da Educação:

1 Com a massificação do ensino (da escola básica à universidade), a educação bateu no fundo! À qualidade (do saber, da cultura) sobrepôs-se a quantidade (do analfabetismo, da iliteracia). Por isso, a escola que temos é limitada, básica, medíocre! Uma escola, obviamente, de aviário. De modelo pronto-a-vestir!

N/D
17 Nov 2004

E não é só gastando dinheiro (se o houver) que a coisa vai lá. O tempo e a política, neste particular, têm sido o nosso inimigo número um. Porque foram anos e anos de demagogia, retórica, improvisação, desesperança!

Por alguma razão, deplorável razão, o ministério da Educação é o que, desde o 25 de Abril, mais ministros colecciona. O que significa, em termos práticos, que ou não há homens à altura do cargo ou o ministério é ingovernável!

E, senhora Ministra, sem uma Educação Nacional empenhada, crítica e responsável o país não avança. O que passa por um envolvimento geral da sociedade. Porque, em Educação, todos têm uma quota-parte de responsabilidade e só um país instruído, educado e culto é capaz de vencer as crises e de criar riqueza.

Infelizmente, estamos ainda muito longe de sermos um país assim. Basta olharmos para a cultura do país real em certos concursos e programas televisivos, onde a ignorância, falta de cultura e civismo dos concorrentes é a melhor prova de que, da escola primária à universidade, se abateu sobre as nossas cabeças o camartelo da irresponsabilidade e do laxismo.

2. Depois, senhora Ministra, temos vivido sob o signo do optimismo e demagogia de certos agentes políticos para quem a conquista de votos nas eleições é o objectivo prioritário. E a seguir, logo se verá. Nem que para tal se faça recurso às falsas promessas e aos cantos de cisne.

O problema nacional, contudo, não é de antes, nem depois. É de sempre e estrutural.

E começa pela falta de empresários criativos, dinâmicos, empreendedores e independentes do Estado que privilegiem a massa crítica de licenciados que abundam e muito caros ficaram ao pais. Só eles e com eles se consegue dar a volta a isto!

E mais grave é as escolas não conseguirem criar uma mentalidade nova que nos impeça de viver agarrados aos estigmas da dependência, do subdesenvolvimento e da fatalidade! Tal como em tempos idos vivemos do Império, das remessas dos emigrantes, dos Fundos Europeus, da Expo’98 e do Euro-2004!

Mas, é óbvio que não podemos continuar a viver do que nos vem de fora. Temos de criar riqueza. Um país de Zés Marias ou de Celebridades de Quintas não vai longe. É um país bacoco, caseiro, possidónio, limitado!

E só a escola, senhora Ministra, pode inverter o sentido às coisas. Uma escola inovadora, dinâmica, construtivista. Oficina de novos saberes, nova cultura. De critérios, valores e atitudes novos, como os da disciplina, do rigor, da lealdade, do método, do trabalho, da coragem, do auto-controlo e da responsabilidade.

E para chegarmos a uma escola assim, que informe, forme e transforme – uma escola pluricultural e multidimensional – só com o envolvimento sério, capaz e generoso de toda a sociedade. O que não me parece plausível sem a criação de uma mentalidade nova de governantes, políticos, empresários e agentes culturais.

Porque com trinta anos já sobre o 25 de Abril, dá pena pensar que, a ser assim, talvez sejam precisos outros trinta para sairmos da apagada e vil tristeza em que vivemos mergulhados!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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