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Conhecer as diferenças…

Conhecer as diferenças entre si para ser capaz de se compreender melhor. Há algumas pessoas que não podem ouvir falar em diferenças. Não sei porquê, se elas existem. E a regra básica para uma honestidade de pensamento é aceitar a realidade, antes mesmo de a procurar compreender.

N/D
16 Nov 2004

Se há coisa mais subtil na vida é a escolha dos parceiros para o casamento; e se há coisa mais difícil é saber manter o amor pela vida fora.
Porque será que os divórcios têm vindo a aumentar? As causas serão muitas, umas mais determinantes do que outras, conforme os casos. Se não podemos ter a pretensão de ver simultaneamente todas as causas possíveis só através da janela da nossa observação, porque a realidade é sempre polifacetada, vamos olhá-la pelas janelas que hoje temos.

É um facto que há duas realidades emocionais: a do homem e a da mulher. Ninguém duvida que as raízes destas diferenças emocionais têm uma base biológica, mas a componente cultural também se manifesta: rapazes e raparigas aprendem maneiras diferentes de lidar com as emoções.

De uma maneira pragmática, como é típico da Psicologia americana, Goleman desenvolve, num dos seus livros, alguns aspectos que nos podem ajudar a ver melhor as coisas na relação pessoal entre homem e mulher ao nível do casal.

Possivelmente associado ao facto de as raparigas desenvolverem mais precocemente a fala, elas parecem ser mais encorajadas a expressar as suas emoções. É que a memória emocional começa, pelo menos, logo após o nascimento, muito antes de ser possível a memória cognitiva. Mas, disso falaremos noutra altura.

Aos 10 anos, o rapaz e a rapariga parecem ter a mesma percentagem de agressividade; mas, aos 13 anos, as raparigas tornam-se mais hábeis a manejar as emoções, enquanto que os rapazes procuram mais o confronto directo. É assim que, mais tarde, elas se mostrarão mais sofisticadas na vida emocional.

Quando as raparigas brincam em conjunto, fazem-no em grupos pequenos, íntimos, pondo um cuidado especial em minimizar a hostilidade e em maximizar a cooperação; já os rapazes brincam em grupos maiores, onde a tónica é a competição. Se acontece que um membro do grupo se magoa, as raparigas param para socorrer a colega, enquanto que os rapazes dizem ao colega que se deixe de fitas para que o jogo continue.

Os rapazes orgulham-se mais da sua independência e autonomia, enquanto as raparigas se vêem a si mesmas como fazendo parte de uma rede de ligações.

Os rapazes sentem-se mais amea-çados por algo que ponha em causa a sua independência; as raparigas preocupam-se mais com a possível rotura dos seus relacionamentos.

Eles contentam-se em falar a respeito de coisas; elas procuram uma relação emocional.

Os rapazes aprendem a minimizar as emoções que tenham a ver com a vulnerabilidade, o medo, a dor; as raparigas tornam-se mais hábeis na leitura de sinais emocionais não verbais.

Daí que seja mais fácil ler sentimentos no rosto de uma mulher do que no rosto de um homem. Em mais novos, não se nota tanto no rosto dos homens essa diferença na expressividade; mas, com o passar da idade, a diferença acentua-se, o rosto torna-se mais fechado, ao contrário das mulheres.

Nos E. U. um estudo feito com 264 casais revela que o elemento que as mulheres destacam como mais importante e que lhes dá mais satisfação é que o casal tenha mais comunicação. Durante o namoro, o homem presta mais atenção a esta característica feminina e conversa mais, de modo a satisfazer os desejos de intimidade da futura esposa.

De modo geral, nos casais com problemas as mulheres verbalizam mais as suas queixas e, em geral, acusam o marido de se furtar a discutir os problemas, que eles consideram ninharias.

As mulheres são mais sensíveis a uma expressão de tristeza no rosto do homem; mas o homem só repara que a mulher está triste quando a sua expressão já for muito acentuada.

Quando um dos cônjuges, em vez de criticar as acções do parceiro, o critica a ele mesmo, isso provoca corrosão dos sentimentos. É um sinal de que o casamento está em perigo e denuncia insatisfação e frustração. A situação é ainda pior quando as críticas são de desprezo, de insulto, de troça. Neste contexto, a linguagem corporal também não é menos ofensiva, particularmente o sorriso escarninho ou os lábios arrepanhados, que são sinal de aversão, ou o revirar dos olhos, como quem diz: ora bolas… valha-me Deus.

A expressão facial de desprezo mais conhecida é a contracção do músculo que puxa os cantos da boca para o lado (habitualmente o esquerdo), ao mesmo tempo que os olhos rolam para cima. Quando um dos cônjuges faz esta expressão, o outro, como que numa troca emocional tácita, regista um salto no ritmo cardíaco de 2 ou 3 pulsações por minuto (calcula-se que, em repouso, o coração da mulher bate 82 pulsações por minuto, enquanto o do homem bate 72 por minuto).

Se o marido mostra consistentemente sinais de desprezo, a mulher torna-se mais vulnerável a determinados problemas de saúde como, por exemplo, constipações frequentes, gripes, infecções urinárias, sintomas gastrointestinais.

Quando a mulher mostra sinais consistentes de desprezo ou de enfado, então é sinal de que o casal brevemente acabará por se separar.

Quando o marido se sente ameaçado, se sente vítima, começa a re-moer toda uma longa lista de queixas que lhe recordam as muitas maneiras como a mulher o ofendeu.

E então todas as outras acções boas que ela fez ficam contaminadas por esse sentimento negativo e a ideia pessimista que fica na sua consciência é a de que a parceira tem um defeito inato que não pode ser modificado e não vale a pena estar a perder mais tempo com isso, o melhor é separarem-se. Se não conseguir superar esta ideia tóxica de fundo, o casamento está ameaçado e é um risco que pode fazer resvalar para a violência.

Face às diferenças como homem e mulher lidam com os sentimentos perturbados que surgem nas suas relações, que podem os casais fazer para protegerem o amor e o afecto que sentem um pelo outro?

Para os homens, o conselho é:

– Não fugir ao conflito, mas compreender que, se a mulher traz á colação alguma queixa, pode estar a fazê-lo de boa fé, tentando manter a relação no caminho certo.

Enfrentar os conflitos e procurar construtivamente resolvê-los é a melhor maneira de fazer baixar a pressão.

– Devem também abster-se de encerrar a discussão demasiadamente cedo com uma solução prática, porque é mais importante para a esposa sentir que o marido escuta as suas queixas e compreende os seus sentimentos. Se propõe logo uma solução prática pode ser sentido por ela como não dando importância aos seus sentimentos e queixas.

Para as mulheres, o conselho é:

– Fazerem um esforço por não atacar os maridos nem mostrarem desdém:

queixarem-se do que eles fizeram, mas não fazer ataques pes-soais. Um ataque pessoal levará inevitavelmente a que o marido se coloque na defensiva ou se remeta ao silêncio, o que será frustrante e pode levar a uma escalada da discussão.

Mostrarem um ao outro que estão a ser ouvidos. Muitas vezes, isso já basta, desde que feito com verdade e sinceridade.

Como fazer para que isso funcione?

– Saber acalmar-se. Toda a emoção tem um impulso para agir. Aprender a gerir esse impulso. Se não forem capazes de se controlar, não serão capazes de se ouvir, de aceitar, pensar, falar. Veja, por exemplo, se o ritmo cardíaco sobe, se as pulsações aumentam. Se sobem mais 10 pulsações acima do normal, então está atingir um ponto difícil de controlar. Dêem-se um tempo para acalmar…

– Procurar ver mais os aspectos positivos um do outro do que os aspectos negativos.

– Saber ouvir: é uma arte que mantém os casais unidos e é também um gesto conciliador.

– Falar de forma defensiva e não agressiva.

– Saber distinguir objectivamente a queixa do queixoso: procurar distinguir a queixa da pessoa que a provoca e do sentimento com que é dita.

– Fazê-lo com respeito e amor: o respeito e o amor desarmam a hostilidade em qualquer ocasião da vida.

– Fazê-lo com empatia: dar a entender ao parceiro que está a fazer um esforço por ver as coisas também do seu lado e compreender também as suas emoções, mesmo que, de momento, não consiga estar de acordo com as suas razões.




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