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Pluralismo nos jornais

O leque de cada jornal deve ser mais aberto no que toca à informação do que à opinião. Todavia, quer informando quer divulgando opiniões, que se proceda sempre com critério e tendo em vista o bem comum.

N/D
13 Nov 2004

Quanto ao pluralismo na imprensa periódica penso que se deve distinguir entre a informação e a opinião.
Relativamente à primeira, o jornal deve informar de tudo o que, na perspectiva dos seus responsáveis – pessoas maiores e vacinadas – interessa à generalidade das pessoas ou por que a generalidade das pessoas se deve interessar.

O jornal não tem que informar de tudo, não pode informar de tudo, não deve informar de tudo. O dever de informar e o direito a ser informado têm justos limites, que a própria Lei de Imprensa reconhece: «os que decorrem da Constituição e da lei, de forma a salvaguardar o rigor e a objectividade da informação, a garantir os direitos ao bom nome, à reserva da intimidade da vida privada, à imagem e à palavra dos cidadãos e a defender o interesse público e a ordem democrática» (artigo 3.º da Lei n.º 2/99, de 13 de Janeiro). Para o lixo há nas redacções a cesta secção: o cesto dos papéis.

Diariamente chega às mesmas redacções muita informação. À hora de a converter em notícia e de a divulgar é necessário proceder a uma criteriosa selecção e valoração.

Seleccionar. Ver o que é ou não aproveitável. Ver o que, atendendo ao bem comum, deve ou não ser divulgado.

Valoração. Optando por divulgar isto e aquilo, como o fazer? Com que relevo? Em que página? Ocupando que espaço? Há assuntos a propósito dos quais se escrevem desenvolvidas reportagens, se fazem entrevistas, se apresentam fotografias. Há outros a que se faz uma ligeira referência.

Porque o leitor tem direito à informação, o jornal deverá mantê-lo devidamente informado. Também daquilo que não convém ou não agrada aos seus responsáveis. Também do que ao jornalista interessava não viesse a público, mas que a generalidade dos leitores tem o direito de conhecer. Deve dar uma informação plural. Diversificada. Há-de informar, com critério, de tudo o que foi ou se prevê seja acontecimento e interessa à generalidade dos cidadãos.

Também deve informar daquilo que, em seu critério, o comum dos cidadãos se deveria interessar. O jornal também tem a função de alertar consciências e de sacudir comodismos e indiferenças.

Relativamente à opinião, o mesmo jornal não tem nada que ser o reflexo das várias ideologias e pareceres existentes na comunidade. A abertura do leque de opinião há-de ter em conta o estatuto editorial de que falei.

Nesta área, o pluralismo consiste não em fazer do mesmo jornal uma espécie de caldeirão onde cabe tudo mas na existência de vários jornais, cada um a divulgar determinadas e não todas as opiniões. O pluralismo está assegurado pela diversidade de oferta, a garantir a liberdade de escolha.

Não é legítimo, por exemplo, que em nome do pluralismo se pretenda exigir de um jornal de inspiração cristã que publique textos de opinião a defenderem o aborto ou a eutanásia, o divórcio ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas – e volto à distinção entre informação e opinião – pode ser dever dos jornais que não defendem aqueles ou outros comportamentos darem, com critério, notícias relativas aos mesmos, para que os leitores fiquem devidamente informados.

Em síntese: o leque de cada jornal deve ser mais aberto no que toca à informação do que à opinião. Todavia, quer informando quer divulgando opiniões, que se proceda sempre com critério e tendo em vista o bem comum.

Isto, é claro, em minha opinião.




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