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Pelas ruas da minha cidade…

Um dia destes, aproveitando os dias de «Verão de S. Martinho» que bafejam o nosso país, resolvi dar um passeio a pé pelas ruas da cidade do Porto. Pelas ruas da Invicta, vi um pouco de tudo: casas em risco de ruína, pessoas sem-abrigo, pessoas carregadas de sacos de compras, e as pessoas, aquelas de quem vou falar nesta coluna, que vagueiam pelos caminhos do mundo «vendendo o corpo» ou aliciando os transeuntes a «uma diversão».

N/D
13 Nov 2004

Sim, vou falar do drama e flagelo que é a prostituição, seja ela feminina ou masculina, pois infelizmente vi das duas.

Não vou fazer nenhum discurso moralista, nem vou querer, como alguns e algumas, esconder o «lixo debaixo do tapete», ou seja, recolhe-los em casas próprias (como antigamente, dizem).

O povo diz que é a «profissão mais velha do mundo». Até a própria Bíblia fala dela em vários casos, apontando-a, quase sempre, como um drama, vitimizando ou escorraçando as prostitutas, mas fazendo-as muitas vezes, como as únicas que escutam a Palavra de Deus e ajudam o Povo a vencer a luta da conquista da Terra Santa (Jericó). Neste tempo, esta «profissão» era quase e só feminina.
Agora os tempos são outros…

Penso que é preciso olhar para o problema de frente e admitir que ele existe, não fazer como alguns (talvez investidos em autoridade) que passam por ela, olham para o chão ou para o lado, sorriem e continuam o seu caminho.

Aqueles indivíduos que se prostituem são pessoas! São pessoas plenamente, mas que pelas dificuldades ou desgostos caíram nas redes do comércio sexual. É certo que alguém dirá: «muitas andam lá porque querem», e talvez tenham razão, mas com certeza são uma minoria. É preciso fazer algo!

Fica aqui, também, a denúncia de que apenas me estou a referir à prostituição de rua, aquela que vemos, não à de luxo, a dos hóteis, dos anúncios dos jornais, muitas vezes praticada por gente de formação académica média ou alta. Esta eu nunca vi, pois é «light» e para o dito «jet-set».

A sociedade tem de se mover e promover a inclusão social daqueles e daquelas que caíram nas malhas deste dinheiro fácil que vicia, como se se tratasse de qualquer estupefaciente. É imperioso olhar para a realidade e criar centros de recuperação e de estruturação das suas personalidades e das suas famílias.

As comunidades cristãs têm o dever moral de fazerem algo, para não pecarem por omissão, não se esquecendo que foram as prostitutas, umas das primeiras a acolher a mensagem de Jesus de Nazaré.
Deixemo-nos de fazer de arautos da moral e de «pegar nas pedras» para atirar, pois só aquele que nunca tiver pecado é que pode atirar a primeira pedra… Mãos à obra!




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