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O Curriculum Vitae

No Juízo Particular que ocorrerá logo após a nossa morte, lá estará o nosso Anjo da Guarda com o livro do nosso «curriculum» – muito contente se o saldo é positivo; muito choroso se o saldo é negativo.

N/D
13 Nov 2004

Toda a gente sabe o que é o «curriculum vitae». É como que um registo de todas as actividades que uma pessoa tem ou teve e que serve para mostrar o seu trabalho, as suas aptidões, a sua formação académica, e os seus dados pessoais. Não se pode concorrer a nenhum lugar, público ou privado, sem apresentar o «curriculum vitae», para que o apre-ciador possa aquilatar se a dita pessoa serve ou não para o cargo.
Isto, claro, quando não se intromete a «D. Cunha», que vicia os dados e estraga tudo muitas vezes. A «D. Cunha» é parente próxima da cor partidária e assim as situações mudam conforme muda a cor reinante. Tem essa senhora uma particular habilidade para conseguir, mesmo em concursos públicos, levar a água ao seu moinho. Umas vezes as coisas descobrem-se, mas outras alguém fica lesado e o autor da fraude continua impune…

Ora a culpa não é do «curriculum vitae», mas sim da «D. Cunha». Médicos, cientistas, investigadores, etc. têm um cuidado especial com o seu «curriculum vitae» e assim quando fazem um trabalho, apresentam uma comunicação de carácter científico, fazem uma operação melindrosa (caso dos médicos) com sucesso, logo correm todos para os seus computadores para registar os eventos que fazem engordar o «curriculum». Isso pode vir um dia a ser preciso para fazer «ficha» num Congresso ou para concorrer a um lugar de maior categoria. Nada lhes escapa e eu acho muito bem. Se o trabalho é próprio e tem mérito, os autores devem ser recompensados.

E nós, pobres mortais, que não somos pessoas de proa? Que não temos computador, nem sabemos redigir um «curriculum», como havemos de fazer? Pois é simples. Nós nunca andamos sós, temos sempre na nossa companhia o nosso Anjo da Guarda e ele se encarrega de fazer o nosso «curriculum vitae». Não precisa, porém, de computador, basta-lhe um livrinho de «deve» e «haver». Se as acções são boas vão para a coluna do «haver», se são más vão para a coluna do «deve».

Assim, sempre que fazemos uma boa acção o nosso Anjo da Guarda corre a escrever na respectiva coluna o que fizemos, isto com grande alegria e até é capaz de acrescentar algo em nosso favor. Por exemplo, damos uma esmola, fruto de uma renúncia e o Anjo da Guarda não esquece esse pormenor que nos é favorável. Fazemos uma asneira, o Anjo da Guarda já não corre para a coluna do «deve», mas vai lentamente a ver se nos arrependemos para ele poder acrescentar à asneira o nosso pronto arrependimento.

No Juízo Particular que ocorrerá logo após a nossa morte, lá estará o nosso Anjo da Guarda com o livro do nosso «curriculum» – muito contente se o saldo é positivo; muito choroso se o saldo é negativo.

Pensemos nisto e não desperdicemos nenhuma ocasião de fazer uma boa acção, certos que o nosso Anjo não se esquece de a registar e assim, por ela recebemos a recompensa.

Escrevo estas linhas pensando nos que dizem com um ar convicto quando alguém lhes prega uma partida ou são lesados nos seus interesses: “Cá se fazem, cá se pagam”. Não é verdade. Muitos que têm uma vida moral muito duvidosa, estão bem instalados na vida e passam bem – já estão a receber a sua recompensa; outros, pelo contrário que são honestos e trabalhadores vêm a sua vida a andar para traz com muita frequência. Alguns queixam-se: “Deus não se lembra de mim”. Enganam-se – Deus não os esquece, mas prefere guardar a recompensa para a vida futura.




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