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Isto é democracia

A pura. A profunda. A essência. “Descafeinada”. Não digo “despartidarizada”. Porque, se não, nem era Democracia. A luta, o confronto, a divergência são autêntica Democracia. Desde que não falte o devido respeito pela “pessoa” do outro. Adversários, sim; mas, nunca, inimigos.

N/D
13 Nov 2004

Discussão necessária, mas não injúria ou desprezo. Nunca fanatismo fundamentalista. Sinceridade na exposição do seu parecer. Mas humildade, raiz de toda a verdade, capaz de reconhecer os próprios erros ou exageros e aceitar a maior verdade alheia.
De tudo isto, felizmente, existe no nosso sistema político. Por cima da luta acalorada, mesmo com alguns excessos de linguagem, há colaboração e a amizade entre os adversários. Adversários de ideias, de planos e estratégias, de modelos e programas. Mas todos com um objectivo comum: – organizar, servir, governar melhor a sociedade.

Para além da complexa vida no Parlamento e do entendimento respeitoso entre os diferentes órgãos do Estado, a saudável colaboração vai-se estendendo cada vez mais ao longo e ao largo do País real: Regiões, Concelhos, Freguesias. Finalmente concluiu-se que a solução de muitos problemas comuns obtém mais e muito melhor pela união de esforços e meios – nas águas, nos lixos, na defesa do ambiente, nas vias e meios de comunicação, nas grandes obras de interesse geral. Os rios (Minho, Lima, Cávado…) voltaram a ser um fortíssimo traçado de união.

Tudo isto mostra capacidade de entendimento, ultrapassando guerrilhas mesquinhas de
individualismo, de rivalidade paroquial, de concorrência ciumenta. E aqui é que bate o ponto. Quando os Governantes, a todos os níveis, por momentos e quase esquecendo os, seus afazeres, forem capazes de confraternizar como bons amigos, como família, em convívios descomplexados, francos, sadios e saudáveis, então temos País, temos saúde política. Os Governantes entre si e, na medida do possível, acompanhados dos “seus povos”.

O exemplo, claro e límpido, vem de baixo, ao nível das Freguesias. Certamente por ser mais fácil de executar. E é este exemplo que eu quero agora distinguir e celebrar. E foi pena que não tivesse tido realce jornalístico no anúncio e, depois, na descrição.

Na porta de uma casa comercial de Braga, toda envolta no perfume delicioso do mais puro café, anunciava-se para o dia 30 de Outubro passado um acção concertada entre todas as Freguesias da nossa cidade: – um “passeio-convívio ao Pinhão, em comboio especial”. Formidável! Parabéns! Mais do que o destino fabuloso do lugar, o Douro e seus vinhedos, agora no esplendor das cores outonais, com os solares e suas quintas, talvez a lembrar a firmeza da D. Antónia “Ferreirinha”, mais do que tudo isso, foi a conquista de um consenso, de uma colaboração, de uma, amizade.

“Prioridade para idosos e reformados”. A preço quase simbólico, lá vão eles comodamente instalados. Até o tempo os brindou com pedaços de Sol. “Animação nas carruagens a cargo de cada Junta de Freguesia”. Convívio e cultura partilhada. Foi o êxito da iniciativa tão aclamado e reconfortante, que logo ali os Autarcas juraram repetir o feito para novos destinos.

O “trabalho em grupo”, bem gerido, tem resultados surpreendentes. Com o esforço repartido, tudo se torna mais fácil e até… mais barato e mais acessível. Cada Freguesia (e cada Câmara) costuma oferecer os seus passeios. Quase em rivalidade. Aqui, os Autarcas esqueceram as “cores clubistas” e formaram um só partido: – o “Bracarense”. Se o futebol da nossa selecção aviva as cores do patriotismo e faz nascer uma bandeira em cada janela ou varanda, o saudável entendimento entre as Sete Freguesias de Braga gerou uma nova forma governar: – pela amizade, para o bem de todos.




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