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Deixem falar os cidadãos

É cada vez mais difícil lidar com as palavras, as interpretações de boa fé rareiam e a sensibilidade decorrente da conveniência provoca frequentes discussões.

N/D
11 Nov 2004

Daí que veja com agrado a coragem política de jornalistas, comentadores ou outros cidadãos, quando se manifestam para o público em geral. Sinal dos tempos ou do momento político, mas realidade visível é a forma como o recente caso do Professor e comentador Marcelo Rebelo de Sousa granjeou críticas e apoios a todos os níveis da população, parecendo mesmo que toda a gente possui hoje algum entendimento sobre o que se terá passado, motivos e causas do silenciar da voz de tão ilustre homem da vida pública e política.

Entretanto, também o Parlamento e os políticos vão merecendo comentários nem sempre elogiosos, num confronto de opiniões que exige esclarecimentos sobre as posições que os eleitos tomam no cumprimento dos seus mandatos.

Permitam-me recordar a recente entrevista com um sociólogo de reconhecida competência, na Rádio Renascença, em que audaciosamente foram abordadas questões de interesse público de forma esclarecida e sem rodeios. Os jornalistas perguntavam e o entrevistado a tudo respondia de forma espontânea e creio que bastante elucidativa.

É de saudar este tipo de entrevistas que permitem dar a conhecer ideias e opiniões fundamentadas e esclarecedoras, embora também elas sujeitas a críticas ou discordâncias, aí residindo, sem dúvida a liberdade de opinião, o expressar de interpretações, mas sobretudo a constatação do exercício do direito à liberdade de expressão, que ultimamente tem sido algo questionada.

A referência ao Parlamento e ao comportamento de muitos deputados nos debates parlamentares, dá-nos apenas uma ideia de quem por lá passou e pode hoje comparar atitudes e comportamentos.

Afinal, entre o que deve ser uma instituição tão prestigiada e a realidade, podem existir algumas diferenças, que as imagens televisivas não captam, mas de que os protagonistas certamente se apercebem.

A coragem e audácia do entrevistado a ninguém ofendendo, mas dando a sua opinião pública, num período em que a liberdade de opinião é alvo de debates, e por vezes gera polémica, é um sinal positivo, um incentivo ao diálogo, ao respeito pelas ideias e opiniões, mesmo quando contrárias ao poder.

É salutar para o continuar do viver em democracia, a opinião de todos os que fundamentam as suas ideias e respeitam os princípios e valores que fazem parte da própria liberdade.

O país precisa de debates, entrevistas e comentários que ajudem o cidadão a interpretar ou esclarecer as dúvidas que sempre existem em todos os momentos da vida pública e política.

A comunicação social tem um papel importante na difusão de notícias e deve servir como elo de ligação entre o poder, os políticos, as instituições e o cidadão. Oxalá ela continue a prestar um contributo útil e positivo, em liberdade, com isenção e responsabilidade, sem censura.




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