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“Oportuna e inoportunamente”

Não podemos constantemente estar “a bater no ceguinho”, a só ver defeitos nos cristãos com responsabilidade ou sem ela e a espalhar um credo negativista e pessimista. Há também o lado positivo da vida e da religião que devemos encarecer e ser difusores da alegria, da esperança e do optimismo

N/D
10 Nov 2004

São Paulo, no seu cativeiro de Roma, prestes a consumar o sacrifício da vida, uma vida cheia de trabalhos apostólicos e sacrifícios pela causa de Cristo e do Seu reino, escrevia ao bispo de Éfeso, Timóteo, que proclamasse a Palavra, que insistisse a propósito e fora de propósito, que argumentasse, ameaçasse e exortasse com toda a paciência e doutrina.
Naturalmente, teria de defender a doutrina por eles pregada, levantar bem alto o facho da fé que brotou do Pentecostes, opor-se aos contestatários, sobretudo vindos do paganismo e do judaísmo e comunicar a outros o fogo da caridade que ardia em seu coração de apóstolo.

Vivemos um tempo em que as trevas do erro, do paganismo, do ateísmo passivo e activo e a negação de valores fundamentais da vida humana e do cristianismo se levantam altivos e despudorados na sociedade mundial e nacional através dos fortes meios de comunicação social, mormente da televisão.

E é necessário que haja mensageiros da boa-nova, da verdade, da justiça e do amor, que não tenham medo de se oporem a essa onda gigantesca de materialismo e de negação de princípios que constituem os alicerces duma sociedade forte, estável, saudável e promissora.

Há muita gente que continua a praticar um cristianismo vivo e esclarecido, os santuários, como Fátima e Sameiro, continuam a ser centros de fé e culto a Deus e aos santos, existem instituições de solidariedade social e de apostolado cristão.

Mas também existem campanhas contra a religião, a igreja e o clero; o ataque às leis que proíbem o aborto, num esforço constante de o legalizar; a defesa da eutanásia; a falta de vocações sacerdotais e religiosas, com o consequente fecho e abandono de seminários e casas religiosas; a construção duma sociedade sem Deus, sobretudo a nível europeu, ignorando as raízes cristãs deste continente que difundiu pelo mundo a civilização da fé cristã, da cultura e do humanismo.

Há dias, no programa “Ecclesia”, o Padre Víctor Feitor Pinto referia a existência dum novo modelo de eutanásia aprovado pelo parlamento da Holanda: a morte infligida a crianças recém-nascidas que apareçam com qualquer defeito ou falta de saúde.

Isto faz lembrar o tempo da antiguidade clássica grega que permitia deixar morrer à fome tais crianças, o que era considerado um defeito grave dessa civilização, pelos historiadores.

“Por último, prohibase alimentar y educar los individuos contrahechos o deformes, que no sirven sino para sufrir”, afirmava o P. Dionisio Dominguez, S. J. em Historia de la Filosofia, citando a lei grega no tempo de Aristóteles.

Estamos confrontados com uma civilização de trevas, que só pode ser combatida por uma civilização de luz, verdade e vida.

“Oportuna e inoportunamente” dirige-se hoje aos apóstolos do nosso tempo: na igreja, no jornal, na radio, na televisão, nas conferências, nos encontros públicos e particulares e nas manifestações festivas de procissões e actos religiosos. Sem medo nem respeitos humanos.

Não podemos constantemente estar “a bater no ceguinho”, a só ver defeitos nos cristãos com responsabilidade ou sem ela e a espalhar um credo negativista e pessimista. Há também o lado positivo da vida e da religião que devemos encarecer e ser difusores da alegria, da esperança e do optimismo.

Será desta maneira que podemos ajudar a construir um mundo novo, mais fraterno, amigo e realizado.

Velhos do Restelo? Não. Cristãos apostados e apóstolos? Com certeza.




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