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Foi a «melhor América» a derrotada?

Oxalá a Europa saiba colaborar e dar as mãos para que esta luta contra o terrorismo tenha, com a menor perda possível de vidas humanas e no respeito pelos direitosfundamentais da pessoa, o êxito que todos os verdadeiros democratas ambicionam

N/D
10 Nov 2004

Mário Soares, surpreendido com os resultados das eleições nos Estados Unidos, afirmou que quem saiu derrotada foi a América das grandes cidades, das grandes universidades, das artes, numa palavra, «a melhor América». De tais afirmações se depreende que, afinal, a democracia, para ele, só é verdadeira quando ganham aqueles com quem mais se identifica. Tal tipo de afirmações é, sem dúvida, um feroz ataque, embora velado, à democracia, precisamente por alguém que dela se faz paladino!

Televisões, rádios, jornais na net mantiveram durante horas a vitória da Kerry, de acordo com as primeiras sondagens e resultados, tal a dificuldade em aceitar a evidência. A Europa estava quase toda à espera de que Bush fosse derrotado, mesmo que obtivesse mais votos. E tal poderia ter acontecido se Kerry tivesse mais 60 mil votos no Ohio. Ficaria Kerry com mais 20 grandes eleitores que lhe dariam a maioria de mandatos e garantiam a eleição, embora Bush obtivesse, no cômputo geral, mais três milhões e meio de votos do que Kerry.

O Partido Republicano continuaria com maioria reforçada no Senado e na Câmara, bem como em número de senadores, mas Kerry teria obtido uma estrondosa vitória, de acordo com todas as análises dos “especialistas”, pois o que estava em causa era derrotar Bush de qualquer maneira. E o sistema americano seria, então, o melhor do mundo, quando há 4 anos foi classificado de péssimo!

Mas os resultados foram outros. Surpreenderam tudo e todos.

Agora, os mesmos analistas, maioritariamente de esquerda, querem diminuir o alcance da vitória de Bush e do Partido Republicano, dizendo, como Mário Soares, que «a melhor América» perdeu, ou que há um grave perigo de cisão entre os americanos, ou que foi o triunfo do conservadorismo retrógrado que ainda se mantém fiel aos valores: Deus , Pátria, Família e Livre Iniciativa.

E em que se distinguiria, então, «a melhor América»? Na admissão do aborto livre, na autorização dos casamentos entre homossexuais, na permissão de adopção de crianças pelos mesmos, na liberdade de experimentação com as células estaminais, na via livre para a eutanásia e no divórcio ultra rápido? É a admissão destes comportamentos, frontalmente contrários à doutrina da Igreja, que permite qualificar a América que votou Democrata como «a melhor»? Onde pode chegar a cegueira dos iluminados!!!

É tal o sentimento anti Bush que, apesar da sua estrondosa vitória pessoal e do partido que o apoia, os meios de comunicação querem fechar os olhos à realidade e deixam passar uma imagem de que as coisas vão correr ainda pior.

França, Alemanha e sobretudo Espanha ficaram deprimidas com estes resultados. Zapatero, Presidente do Governo de Espanha, que em 12 de Outubro de 2003, no desfile das Forças Armadas, sendo oposição, não se levantou à passagem da bandeira americana, viu como este ano o embaixador dos Estados Unidos em Espanha não esteve presente nesse desfile, quer pela ofensa recebida há um ano, quer pela quebra dos compromissos assumidos pelo governo Aznar em relação ao envio de tropas para a recuperação, estabilização e democratização do Iraque.

A primeira medida de Zapatero foi mandar retirar as tropas, numa altura em que o próprio Papa pedia e continua a pedir a cooperação, e a ONU já tinha uma resolução no mesmo sentido.

O editorial do «Libertaddigital.com» de 4-11 intitula-se «Uma vitória da civilização ocidental».

Em síntese, afirma que a vitória de Bush é muito mais importante do que teria sido se não estivesse precedida pela infame campanha de descrédito dirigida contra ele sobretudo por causa da intervenção militar no Iraque. Muitos ainda não compreenderam, continua, que é a civilização ocidental que está em causa com a ameaça e os atentados terroristas, não só em Nova Iorque e Madrid, mas também, continuadamente, em Israel e noutras partes do mundo.

Conclui desta forma: «A guerra contra o terror islâmico, e a expansão do mundo livre que, inevitavelmente, passa pela vitória sobre tal terror, é uma dessas “causas grandes e árduas” que, como dizia Balmes, ” requerem vontade decidida, acção vigorosa, cabeça de gelo, coração de fogo e mão de ferro”. A maioria dos americanos reconheceu essas virtudes na pessoa de Bush. Muitos outros, por todo o mundo, também».

Oxalá a Europa saiba colaborar e dar as mãos para que esta luta contra o terrorismo tenha, com a menor perda possível de vidas humanas e no respeito pelos direitos fundamentais da pessoa, o êxito que todos os verdadeiros democratas ambicionam.




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