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A lição do filósofo

O filósofo Michel Serres, membro da Academia Francesa, aceitou intervir, aos domingos, na “France Info”, com um comentário de sete minutos, onde toma o pulso à actualidade.

N/D
9 Nov 2004

Para o filósofo, habituado a outras cátedras e auditórios, a aceitação de sete minutos de antena corresponde ao reconhecimento de que, actualmente, os locais da palavra não são apenas a igreja, o parlamento ou a universidade. «Hoje – diz Serres – os locais da palavra mediática são tão importantes como os outros».

Quantos o entendem e o arriscam?… Quantos intelectuais têm a humildade de pisar este terreiro dos homens comuns?

Não muitos, como facilmente se pode constatar, se olharmos para o nosso próprio meio.

Um bom número dos que se abstêm de intervir na e pela comunicação social, alega uma das fragilidades dos media: «na rádio e na TV exigem esclarecimentos de meia dúzia de segundos; nos jornais, impõem um número apertado de caracteres…».

Não deixa de ser verdade. Mas, vejamos como respondeu Michel Serres, precisamente aos que se espantaram pela sua sujeição a este espartilho do tempo/espaço:

«Que tempo demora a contar a fábula da cigarra e da formiga, ou a do corvo e da raposa? Quanto ocupa um pensamento de Pascal, uma reflexão de La Rochefoulcauld, uma Carta de Madame de Sévigné?… Muito menos que sete minutos… E, no entanto, no seu conteúdo, há um pensamento de densidade sobrenatural. Quanto demorou o Evangelho na missa da manhã de hoje?…

Não foi a modernidade que inventou a brevidade, mas sim a literatura mais antiga do mundo».

Em defesa da brevidade, até falamos em latim: «esto brevis et placebis!». Depois, em português, é que não há quem nos forneça, a tempo e horas, o conveniente ponto final…




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