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Caro Alfredo

Li, há pouco, que vivemos um tempo especial e estranho, em que Deus se eclipsou. Melhor dito, em que os homens provocaram um eclipse de Deus. Deus não se vê. E, se calhar, a grande razão será esta: interessa-nos não ver Deus. É que ver a Deus, acreditar em Deus, não é a mesma coisa que não ver a Deus, não acreditar em Deus. Num ou noutro caso, as nossas vidas serão, terão de ser, completamente diferentes.

N/D
7 Nov 2004

É impressionante constatar o garbo com que alguns “notáveis” se apressam a confessar o seu agnosticismo, quando perguntados sobre a sua posição face à religião. Há alguns até que inadvertidamente se declaram ateus, esquecidos de que, para chegar aí – e eu julgo que é honestamente impossível – se torna necessário um trabalho intelectual e uma categoria mental que talvez, em muitos casos, não sejam seu apanágio. Pelo contrário, ser agnóstico não dá trabalho, basta dizer que se é, está na moda e até abre caminho para os mais apetecidos comportamentos.
Situações como estas não nos podem deixar indiferentes, antes nos obrigam a um sério e permanente exame de consciência: que rosto dou eu ao Deus da minha fé? Não posso esquecer nunca que o meu Deus está connosco, faz caminho com todos nós, incarna na vida dos homens, quer por mim e por ti, comunga os seus problemas, as suas alegrias e as suas dores. Anseia estar na praça, “embrulhar-se” na vida, ouvir e responder aos desafios e interpelações da vida.

Por muitos de nós, os homens do nosso tempo não descobrem o “Rosto materno de Deus” e, por isso mesmo, são levados a não acreditarem no Deus que lhes pregamos.

Não achas que nas nossas reflexões pessoais e comunitárias por aqui devíamos começar: “Por onde anda o nosso Deus?”




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