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A formação da consciência – pilar da educação

Etimologicamente, o vocábulo “consciência” (cum+scientia), radicado no verbo latino cunscire (cum+scire = saber com, conhecer juntamente ou conhecer com auto-testemunho), significa “dar-se conta”, “saber o que se passa” ou “ser testemunho de algo”.

N/D
7 Nov 2004

Assim, no sentido psicológico, ter consciência é conhecer ou apreender os nossos actos, ou seja, ter a percepção do que se passa connosco e à nossa volta.
Ela é uma instância de (re)conhecimento. É o que acontece quando usamos expressões como “tomar consciência do que se está a fazer”, “perder a consciência”, “ter consciência do perigo” ou “estar insconsciente”.

No sentido moral, a consciência implica não apenas a faculdade de ter a noção dos nossos actos e dos acontecimentos, mas também de os julgar, avaliar e confrontar com os ideais e os valores que nos propomos atingir e que reconhecemos como obrigatórios.

É o caso de expressões como “a minha consciência diz-me que …”, “o apelo da consciência levou-me a fazer…” ou “em consciência não o posso fazer…”.

Deste modo, a consciência moral, para além de instância de (re)conhecimento, é também uma instância de valoração e de prescrição. Não é uma mera espectadora que observa o que se passa, mas igualmente um juiz que avalia e julga o valor das acções. Esta instância interior obriga e sanciona, relacionando-se com o dever e com o sentido de responsabilidade.

Ela exige o conhecimento dos motivos e dos fins da acção e faz o Homem reconhecer-se como o autor das suas próprias acções. Antes de executar qualquer acto, o Homem consciente pode ponderar se deve ou não praticá-lo e pode voltar atrás e tomar outra decisão; ao executar uma acção, tem o sentimento e a percepção de que é ele próprio que está a agir e se a sua acção é boa ou má; após a realização do acto, o Homem pode (e deve) assumir a sua autoria e considerar-se responsável, tendo a obrigação de prestar contas por ela.

A consciência é uma faculdade específica do Homem como ser racional e livre. Não do Homem em abstracto, mas de homens reais que se desenvolvem em situação histórica. Assim, a consciência moral dos indivíduos encontra-se sujeita a um processo evolutivo de aperfeiçoamento. E, como consciência de homens concretos que só o são em sociedade, ela é uma faculdade de julgar e valorar a conduta que tem consequências não apenas para si mesmo, mas também para os outros.

A consciência moral nasce com o homem, enquanto capacidade ou aptidão que se vai desenvolvendo e aperfeiçoando até atingir a maturidade, acompanhando, nas suas manifestações, o processo de evolução formativa da razão humana. Este movimento evolutivo realiza-se nos dois grandes meios em que a criança cresce: a família e a sociedade.

Durante este percurso de aperfeiçoamento, a consciência passa da fase de heteronomia para a de autonomia.

É neste contexto que nós defendemos que a educação desempenha um papel primordial e insubstituível na formação da consciência, através da família e da escola como reflexo da cultura dominante na sociedade.




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