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O Império Romano e os tempos actuais

Ao reler em a História da Igreja de Cristo de Daniel-Rops umas páginas sobre o Império Romano, dei-me conta das inúmeras semelhanças desse tempo com o tempo actual.

N/D
6 Nov 2004

Com as conquistas, Roma tornou-se imensamente rica de ouro e escravos. Enquanto os possuidores do ouro viviam em sump-tuosas vivendas, banqueteavam-se até à saciedade e se afogavam em prazeres sem conta, os escravos eram vendidos por baixo preço dado o seu elevado número.
E actualmente não sucede o mesmo? Parece que a escravatura já passou, mas só em teoria, pois que determinados contratos de trabalho em certos sectores põem os trabalhadores à mercê do capricho dos empregadores.

Quanto aos ricos, como outrora, também agora muitos gastam num jantar o que muitos ganham num mês para sustentar uma família. Dão por um bilhete para um espectáculo uma quantia muito superior ao ordenado mínimo, com que muita gente tem de se governar.

Nas grandes cidades sobretudo em Roma proliferavam as gentes ociosas sem terras para trabalhar e sem trabalho; tornavam-se parasitas da sociedade e com a mendicidade e a preguiça depressa chegavam ao vício; então para se distraírem recorriam aos jogos do circo. Nos tempos de agora algo de semelhante se passa: o desemprego crescente ou a falta de vontade de trabalhar empurra muitos jovens e não só, para o vício, recorrendo à droga para se alucinarem e esquecerem a sua miserável condição.

A sociedade romana estava afectada no seu núcleo fundamental: a família. Para que quer o homem o matrimónio se as escravas são mais dóceis que as esposas e podem ser despedidas a qualquer momento? E o mesmo não se passa agora entre nós com as chamadas «uniões de facto»? Sem qualquer compromisso assumido, sem qualquer responsabilidade, ao menor capricho separam «os trapinhos» com a facilidade com que os uniram.

O aborto e o abandono de crianças assumem proporções dramáticas, sobretudo quando se trata de raparigas. O divórcio é prática corrente e basta o desejo de mudança para se consumar.

Com as novas tecnologias de reproduções assistidas, fecundações «in vitro», uso de abortivos químicos ou mecânicos, penso que o número de abortos praticados actualmente é muito mais elevado que na Roma de antigamente.

Basta pensar que o uso do DIU pode levar uma mulher a abortar todos os meses e a «pílula do dia seguinte» ainda é pior.

Quanto ao divórcio é o que sabemos – já fazem a fotografia pós cerimónia nupcial com ar de quem se vai separar ao primeiro atrito e se nos parece que o número de divórcios tem diminuído isso deve-se ao decréscimo de casamentos.

No campo religioso os romanos eram politeístas – adoravam uma enorme quantidade de divindades. E actualmente sucede o mesmo, com a diferença que os actuais deuses são o dinheiro, o ventre, o sexo, o poder, a ganância, a intolerância, etc.

Não nos podemos desculpabilizar perante as semelhanças dizendo que afinal nada mudou. Não é verdade. Há uma coisa que mudou muito e é deveras preocupante.

Antigamente chamavam-se às coisas pelo seu nome: o vício era vício, a torpeza era torpeza, e assim sucessivamente, ao passo que actualmente tudo tende a ser mascarado, com a máscara de que assim um é mais livre, mais sincero, mais transparente…

É caso para dizer: “com papas e bolos se enganam os tolos”.




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