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Para além do que se vê

Estava eu a reler um livro sobre fenómenos de Para-psicologia, que é sempre um desafio á imaginação e conhecimento e atraente como um policial, quando deparei com a narração de um episódio da vida de S. João Bosco, quando frequentava ainda a escola primária.

N/D
5 Nov 2004

Diz assim: “Ele, como notável paranormal, em duas ocasiões, sendo ainda menino, sonhou o ditado que o professor lhe haveria de fazer no dia seguinte. A primeira vez, ao suspeitar do que se tratava, pulou da cama e escreveu o que, sonhando, tinha lido. Assim, pôde ir à aula com o ditado feito de antemão. Noutra ocasião, o professor preparou o ditado na véspera. O pequeno Bosco, naquela noite sonhou que o lia e, acordando emocionado, escreveu-o do princípio ao fim, com todos os detalhes. No dia seguinte, o professor, por falta de tempo, ditou só metade.
Depois, ao corrigir os trabalhos dos alunos, ficou pasmado ao comprovar que João Bosco tinha escrito não só a parte ditada mas também e com exactidão a outra parte que tinha pensado ditar”.

João Bosco “sonhou”, por fenómeno de telepatia, o que o professor tinha na memória ou “viu”, por fenómeno de clarividência, o que o professor tinha escrito no caderno.

Para um princípio de ano tão atribulado como o deste ano e para os estudantes que aprendem mal, vinha mesmo a calhar ter um patrono assim. Mas é melhor os estudantes não se fiarem em capacidades que podem não ter e estudarem mesmo.

Há, na história e até no nosso dia a dia, muitos casos semelhantes de telepatia e de outros fenómenos. Para só usar nomes de pessoas que são tidas como insuspeitas, recorda-se, por exemplo, um caso da história do Padre Pio, já canonizado, em relação a uma mulher que lhe ia pedir a cura do marido, gravemente doente.

A mulher nunca pôde falar com ele, porque as pessoas eram sempre tantas… Estava apenas no meio das muitas pessoas que aguardavam, no claustro, vê-lo passar para ir rezar missa. Inesperadamente, ele volta-se para ela e diz-lhe que podia ir para casa porque o marido já estava bem. E assim aconteceu.

Há manifestamente aqui um fenómeno de telepatia e um fenómeno de taumaturgo (cura de uma doença). Como se explica o fenómeno da cura? Para já, o que sabemos é que os factos existem, mas a explicação ainda não.

Designa-se esta capacidade de conhecimento por meios diferentes daqueles que a ciência atribui aos nossos sentidos por “Percepção extra-sensorial” ou “Psi-Gama” (que significa conhecimento da alma) e as pessoas que manifestam essas capacidades designam-se por “paranormais” ou “dotadas”.

Neste fenómeno de conhecimento, os obstáculos físicos que possam existir entre o sujeito e o objecto, como paredes, montanhas ou outros, não interferem no funcionamento dessa capacidade. Também outros instrumentos que eventualmente possam ligar o sujeito ao objecto ou pessoa, como fios ou recurso a ondas hertezianas, nada favorecem.

Também a distância e o tempo não têm qualquer influência nesse fenómeno de conhecimento psigama: uma pessoa pode estar distante de outra e conhecer coisas importantes sobre ela, quer sejam factos do presente, do passado ou do futuro.

Contudo, costumam acontecer dentro de certos limites: quanto ao tempo, não existe nenhum caso verificado em mais de dois séculos, para a frente ou para trás; quanto ao espaço (âmbito de distância), os exemplos conhecidos limitam-se ao âmbito terrestre.

Para alguns, a comunicação só se manifesta entre vivos; os estudiosos recentes do fenómeno de “memórias de outras vidas” admitem que se estende também aos que já faleceram e apresentam casos em que tal se veio a comprovar por factos históricos averiguados.

Certamente, fenómenos destes sempre os houve, mas a sua interpretação é que era sempre atribuída a possessão demoníaca ou bruxaria.

Ficaram-me sempre gravada na memória histórias reais de uma senhora, que não recordo se cheguei a conhecer, mas conheci bem o marido. Eram pessoas abastadas e respeitadas. A senhora era tida como uma pessoa bondosa e simpática. Tinha alturas em que se sentia muito fragilizada e os médicos de então, já lá vão umas décadas, não sabiam que lhe fazer. Em certas alturas, ao que se ouvia contar, ela era capaz de falar de factos que se passavam à distância, de falar sobre factos ocultos de pessoas e que, outras vezes, teria uma força extraordinária, sendo ela uma pessoa frágil.

A explicação mais corrente disso, há umas décadas atrás, era “possessão diabólica”. E lá ia o marido tratar de conseguir autorização para que lhe viessem ler os exorcismos, enquanto ela, na cama, comentava para os presentes o que o marido andava a fazer.

Ao chegar a casa e falando com ele, confirmavam de facto que se tinha passado isso.

Um dia, foi lá um sacerdote para lhe ler os exorcismos e ela vira-se para ele e põe-se-lhe a falar de factos ocultos da sua vida pessoal. Passadas essas crises, não se lembrava do que tinha acontecido e continuava a fazer a sua vida normal.

Qualquer que seja o diagnóstico que hoje possamos fazer, eventualmente crises histeriformes, o certo é que se tratava também de fenómenos de clarividência e telepatia. Pena é que, nessa época, as pessoas fossem tão mal tratadas por algo que nem era mal nem ofendia ninguém. Eram os restos da mentalidade inquisitorial contra fenómenos de bruxaria e possessões diabólicas.

Vem isto a propósito de chamar a atenção para que eventuais fenómenos semelhantes que aconteçam sejam tratados com os recursos que a ciência já hoje nos disponibiliza.

Afinal, a verdade é que sabemos ainda muito pouco… E bem pode haver mais mundo para além do mundo que vemos ou ouvimos.




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