Fotografia:
Outro ponto de vista…

O nosso espaço lusitano, muitas vezes, parece-nos uma realidade ficcionada, senão mesmo, uma realidade que não tem a ver com nada.

N/D
5 Nov 2004

O tema de momento radica nas eventuais pressões ou manipulações que se verificam nos principais órgãos de comunicação social.

Pressões sempre existiram, quanto às manipulações basta-nos assistir com alguma atenção ao que se passa na generalidade da comunicação social, nomeadamente no processo de escolha de alguns comentadores.

Nesta análise recorro a duas situações aparentemente díspares: as eleições americanas e o processo de constituição da nova Comissão Europeia.

Quanto às eleições americanas chocou-me verificar a profunda ignorância, senão mesmo, a desonestidade intelectual de alguns opinadores de serviço.

O Senador Kerry era-nos apresentado com uma bondade tal, com uma tão grande base de apoio que em alguns momentos me questionava se não seria melhor nem haver eleições.

O outro, o Presidente representava tudo de mal, intelectualmente era mesmo apelidado de pouco consistente, contudo, o mesmo pouco dotado, nos comentários que nos eram dados a conhecer, frequentou e concluiu estudos superiores em Yale e Harvard. Interessante seria ver por onde andaram, se andaram, estes doutos opinadores.

Mas na ânsia de nos presentearem com pensamentos ultra modernos, afirmavam mesmo que este Presidente, o reeleito, tinha posições radicais e fundamentalistas, nomeadamente, por ser contrário ao casamento dos homossexuais, ou por apresentar no seu programa a defesa de uma noção de família, mais ou menos tradicional.

Os americanos, de forma expressiva, nas urnas foram claros, apoiaram de maneira inequívoca o Presidente George W. Bush.

Alguns dos nossos comentadores, contudo, insistem que faltam contar os votos do Ohio! Que o sistema é assim e assado…

E, quanto ao processo de constituição da nova Comissão presidida por Durão Barroso, meu Deus, o que se tem dito e opinado é de bradar aos céus.

O pecado do Senhor Buttiglione não foi, ser ou não competente para a função, foi ter convicções. Tem uma ideia de família, não concorda com os casamentos homossexuais e entende que a mulher pode, eventualmente, ter deveres sociais diversos do homem.

Os nossos comentadores, escolhidos não se sabe por quem ou, que interesses servem, produziram um ruído tal que o acessório ou acidental se confundiu com o essencial ou substantivo.

Em que ficamos?

Podemos defender as nossas convicções, ou por causa delas podemos ser marginalizados?

Todos temos de afinar pelo mesmo diapasão, ou podemos ter opinião própria, sustentada em convicções?

A resposta que dermos, a estas e outras questões, permite-nos inteligir melhor o que são as pressões e as manipulações.

Elas existem, todos os dias nos interpelam. A nossa resposta, diferencia-nos… uns têm convicções, alguns, outros, vivem na convicção de lugar nenhum!




Notícias relacionadas


Scroll Up