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O silêncio nem sempre é de ouro

No nosso país, deparamos com um panorama que, não sendo anormal, pelo menos deveria ser menos nítido, nos intervenientes que mais contribuem para a sua existência. Há personalidades que falam demais e outras, que, pelo peso de influência que possuem, deveriam falar mais e estão, premeditadamente, quase silenciadas!

N/D
5 Nov 2004

Nos que falam demais, e que possuem enormes telhados de vidro, prestariam a si próprios um excelente contributo se estivessem calados. Se é certo, que o silêncio nem sempre é de ouro, nem sequer de cobre mas às vezes de uma grande lata, não obstante, deveria ser adoptado em muitas circunstancias da vida política.

Entendo que não é lícito, estar constantemente a invocar o passado distante, expressando que quem tinha as rédeas do poder, faziam de todos os portugueses uma camada de estúpidos, façam hoje exactamente o mesmo.

Já não restam quaisquer dúvidas, que há políticos de grande notoriedade, que demonstram com a sua postura, que nada se importam de sair da cena política pela porta pequena! E pena que assim seja. E que, mais tarde, quando a história do país tiver mais um complemento, se o historiador o fizer de forma desapaixonada, não será muito abonatória, a parte dedicada a esses políticos que primam pela controvérsia. A vertente negativa, poderá sobrepor-se à positiva, se é que esta existe.

Vamos à essência: ainda dará muito pano para mangas, o já designado “caso Marcelo”. Sobre a questão, que têm gerado supostas pressões sobre a TVI, por parte de alguém ligado à esfera governamental, afirmou o dr. Mário Soares, numa longa entrevista ao matutino portuense de maior tiragem, que o professor Marcelo Rebelo de Sousa deveria quebrar o silêncio e dizer tudo o que se passou.

De todo legítima essa opinião, se viesse de outra figura política que não a citada. O ex-presidente da República possui sobre a matéria, muitos telhados de vidro. Não Ihe assiste muita legitimidade e muito menos, o direito de nos pretender, fazer uma espécie de lavagem ao cérebro.

Para que se não caia na tentação, de designar de insinua-ção o que exprimo, cito dois exemplos: a denúncia feita por Eduardo Moniz, que quando estava na RTP e o PS era governo, liderado pelo dr. Mário Soares, a interferência constante do então primeiro ministro, na orientação do telejornal.

Quando na vigência do segundo mandato, no cargo de presidente da República, a sua resposta sobre a publicação do livro da autoria de Rui Mateus, seu antigo camarada de partido. Questionado sobre o conteúdo nada abonatório para com a sua pessoa, o então presidente da República, deu esta lacónica resposta, “não comento”! Porque se remeteu ao silêncio o dr. Mário Soares?! O povo anónimo nunca o soube porque o visado o não disse! O silêncio nem sempre é de ouro…




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