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A magia do sagrado

Terá sido no final dos anos 70 que, pela primeira vez, passei nos Estados Unidos esse festejo bizarro, infantil e pro-carnavalesco, que dá pelo nome de Hallowen.

N/D
5 Nov 2004

Tem um misto de jogo, fantasia, exorcismo, bruxaria e terror. É um sucedâneo do sagrado, como imperativo do irracional, descomprometido de qualquer liturgia institucional ou credo organizadamente professado. Tenta celebrar, sem excesso de convicção, a área nebulosa de todo o ser humano, para além da profissão de crenças e credos revelados e comunitariamente assumidos.

Dir-se-ia que nunca a humanidade esteve dispensada de visitar esse sótão fantástico. Povoado de papões para o imaginário das crianças, alimentando fantasias de contos de fadas, perigos e finais felizes, funciona como projecção dos grandes desideratos recônditos de todo o ser humano.

Li, quando apareceu, o Código da Vinci e nunca lhe quis fazer publicidade. Mas é um romance que se alimenta de áreas secretas, semi-ditas, da ficção e do real, explorando o tabu do feminino e tecendo-o com alguns elementos sacrais do cristianismo. De histórico e científico nada tem este Código. Mas diverte-se e tenta divertir-nos nas periferias da história misturada com a ficção.

O facto é que tem a ver com muitas das fugas do nosso tempo. Em rotura com heranças religiosas construídas com os dados da história e da fé, relança-se em absurdos sucessivos, criando aí os seus refúgios interiores, intimistas, engendrados de fantasmas, hallowens, que intentam a libertação de assombramentos e culpas mas, na prática, mais enredam as complexidades que envolvem cada ser humano na procura do sagrado.

Durante o recente Congresso de Paris sobre a Nova Evangelização, a cidade da luz foi inundada pela notícia de que o homem se liberta pelo sopro do Espírito – Holy Wins – e não pela dança confusa e descontrolada dos espíritos. Bem urgente essa clarificação.




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