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Tempos livres

Embora dando à expressão um sentido com que nem sempre estou de acordo, a verdade é que, além de viver, é preciso saber viver. Procurar viver com qualidade.

N/D
4 Nov 2004

Quem o não sabe, ou não pode, ou não quer fazer, corre o risco de, simplesmente, vegetar.

Saber viver implica um bom aproveitamento do tempo. Também dos tempos livres. Estes, não obstante o ritmo de vida de hoje, são, felizmente, uma realidade. Há quem os desperdice e há quem os aproveite, nem sempre para o bem. O bom senso exige que se não desperdicem nem sejam ocupados na prática do mal.

A sadia ocupação dos tempos livres deve ser uma preocupação de todo e de cada indivíduo. Hoje permito-me salientar a preocupação dos pais e a responsabilidade dos educadores.

No tempo lectivo há tempos livres que o horário escolar proporciona. São os chamados furos. Umas vezes porque se não consegue evitá-los e outras… porque assim convém.

Nem sempre os horários se elaboram a pensar, fundamentalmente, nos interesses dos alunos. E como são ocupados esses tempos livres?

Ao longo do ano acontece de as férias dos pais poderem não coincidir com as dos filhos. Porque as dos filhos são mais prolongadas. Até porque há períodos em que são suspensas as actividades lectivas mas para os pais são tempos normais de trabalho.

Onde e como são ocupados esses tempos livres?

No Verão existem as chamadas colónias de férias, mas só parcialmente resolvem o problema. Não abrangem todas as crianças e as que delas beneficiam é apenas durante um período limitado de tempo.

Existem os chamados ATL, vocacionados para promoverem actividades para ocupar os tempos livres. E será que tais ATLs também funcionam em tempo de férias?

Falei na ocupação sadia dos tempos livres. Uma coisa é entreter o tempo de qualquer maneira, dedicando-o quase em exclusivo a actividades lúdicas, e outra é incluir na ocupação desses mesmos tempos uma vertente educativa, o que nem sempre acontece, como se referia no “Jornal de Notícias” de 23 de Agosto, em relação às colónias de férias.

Uma coisa é certa: a ocupação dos tempos livres dos filhos é uma séria preocupação para muitos pais. E se a ajuda à família fosse uma realidade e se a criança merecesse a atenção que se apregoa dedicar-lhe certamente que já se teria encontrado uma solução para o problema.

Porque ainda se não encontrou acontece de, em períodos de férias, crianças, adolescentes e jovens andarem ao deus-dará. Verem televisão em excesso e sem qualquer acompanhamento. Frequentarem a escola da rua e ambientes pouco ou nada recomendáveis.

O acompanhamento e educação dos mais novos não se pode limitar a um período limitado de tempo e o apoio às famílias deve ser dado na altura em que dele mais precisam. É urgente que se equacione devidamente o problema e para ele se encontre a melhor solução.

Não haverá necessidade de, a nível local, as associações de pais promoverem a existência de espaços onde os filhos, devidamente apoiados por pessoas competentes e dedicadas, passem de uma forma útil e sadia os tempos livres e os mais novos sejam, inclusivamente, orientados nos estudos?

Não poderiam fazer aqui um bom trabalho pessoas devidamente habilitadas a quem o Fundo de Desemprego paga, ou professores que não conseguiram colocação e a quem se daria uma remuneração condigna?




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