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O alerta do Sr. Reitor

Numa entrevista à Rádio Renascença para o programa “Diga lá Excelência” (também emitida no Canal 2 e publicada no Jornal “Público”), o reconduzido reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Braga da Cruz, considerou que a indústria nocturna (bares e discotecas) «exerce uma fortíssima pressão sobre os estudantes universitários e que é fortemente responsável por um clima de menor investimento no estudo e aplicação geral».

N/D
3 Nov 2004

A voz deste homem douto é uma pujante chamada de atenção sobre uma realidade que, de há muito, inferniza o nosso mundo estudantil.

É certo que o problema com que nos debatemos intramuros, não é único no contexto das nações, mas deixemos os outros em paz e cuidemos da nossa casa! O Sr. Reitor, ao pedir na já citada entrevista a intervenção dos poderes políticos fê-lo no sentido (creio eu) de estes legislarem por forma a que, com leis sábias, se possa debelar tão gritante e negativo “fenómeno”, para que definitivamente os nossos universitários tenham o seu Campus próprio com vista a um futuro emoldurado de homens
(e mulheres) que, nas mais diversas áreas, estejam altamente preparados para nortearem este Portugal aos lugares cimeiros dos países evoluídos moral, material e espiritualmente pois não é com “cátedras noctâmbulas” entremeadas com doses de álcool e efeitos acústicos que os nossos universitários de hoje poderão ser os homens eruditos do amanhã.

Obviamente que dentro deste iniludível quadro existem excepções, e muitas felizmente. Honra lhes seja feita e que a sua louvável conduta sirva de exemplo àqueles que apesar de tudo, ainda estão a tempo de retroceder para bem de um todo mas, e acima de tudo, para bem de si próprios.

Em jeito de resposta às afirmações do Sr. Reitor, uma Associação de Bares e Discotecas, veio de pronto insurgir-se contra a sua Excelência afirmando que “ele fala de algo que não conhece e critica a noite porque não a frequenta”. Conjecturas à parte, julgo – na minha opinião – que o busílis da questão está na extrema necessidade de haver um equilíbrio ponderado entre a distracção e o estudo (por certo que essa Associação concordará comigo) sendo que a necessária sociabilização de que os jovens carecem deve encontrar na Universidade – instrumento por excelência da formação humana – um meio potenciador e nunca um entrave ao legitimo direito dos jovens ao entretenimento.

Longe de querer advogar qualquer forma de castração do saudável exercício de distracção e divertimento que os jovens merecem, não deixa de ser oportuno ter em linha de conta o “lamento” do Sr. Reitor. Discotecas? Sim. Divertimento nocturno?

Sempre que possível, mas de forma prudente e com regras. O “fenómeno” instituído que tem levado a um progressivo alargamento da “noite” é extremamente pernicioso.

Discotecas que criam “ambiente” a partir da uma, das duas ou das três horas da madrugada e que permanecem lotadas até às cinco e seis da manhã não se coadunam com o trabalho de estudante, que invariavelmente não terá rendimento durante a manhã ou mesmo ao longo de todo o dia.

A institucionalização de outros hábitos sociais, que permitam manter esse exercício salutar de sociabilização e de distracção mas que simultaneamente o enquadrem num horário compatível com as obrigações de estudante é um esforço necessário para o elevar da qualidade do nosso ensino superior, salvaguardando as expectativas legítimas de quem o frequenta. Haja vontade e discernimento!




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