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Professores uni-vos! (Que já estou farta de nos ver a ser maltratados)

Aos professores tudo se pede mas pouco se dá. Pede-se que sejam vigilantes das crianças, psicólogos, sociólogos, “pais” (substitutos), amigos, colegas, e entre outras coisas, que se lhes transmitam os conhecimentos necessários… para quê?

N/D
2 Nov 2004

Para a vida, para o mundo do trabalho, para serem homens (e por arrasto, como ainda é (a)normal, mulheres), para que tenham valores (alguém ainda se lembra de quais os que quer?)… E nós, professores, deixamos. Deixamos que tudo nos façam!
Já foi tempo em que o Professor, o Padre e o Médico, eram as figuras mais importantes de qualquer comunidade. Não almejo o passado, pois o futuro é bem melhor e é para lá que caminhamos. Mas ora bolas, nem tanto, nem tão pouco. Agora, à boca de pais, alunos, e às vezes até colegas, quase que somos a pior “escumalha” que existe, pois que coitadinhas das crianças são sempre as vítimas, até de toda a maldade que elas próprias provocam.

Culpar os outros dos próprios erros, parece ter-se tornado um valor actual. Ainda sofremos na pele, os professores, a fobia pós-salazarista, de que o 25 de Abril veio libertar “os pobres cidadãos” das mordaças do regime. E o regime era veiculado por quem? Por quem o ensinava. Por quem o Estado punha nas escolas a falar pela sua voz: os mestres escola, os professores.

Mas já não é assim que tudo se passa, só que nós ainda arcamos com o estigma: quem transmite a cultura, é o “mau”, porque obriga “o outro” a receber pacificamente essa cultura. E deixou de se querer “receber pacificamente” seja lá o que for que os professores queiram transmitir, e criou-se, implantou-se e legitimou-se a indisciplina na escola. E porquê? Também, e acrescentando às razões anteriores, porque a escola é do Estado. E o Estado era (antes do 25 de Abril, logo para muitos pais e avós que agora “educam” filhos e netos) o alvo a abater, a repressão, a censura, o “papão”. A indisciplina existe mais nas escolas do Es-tado e menos nas privadas. Porquê? Por muitas outras razões decerto, mas por esta também.

Num congresso de Professores, há dias, e depois de ouvir alguns oradores, percebi, realmente, uma coisa (entre tantas outras) que está mal. O Estado é o legislador, eleito por nós e ao nosso serviço, portanto (o que nem sempre acontece), mas não deverá ter qualquer influência nas escolas directamente. Não deverá possuir escolas.

O ensino é público seja ele qual for, em escolas privadas ou estatais; mas o erro é haver escolas estatais. Uma pessoa ou várias não podem ao mesmo tempo, ser concorrentes e júris de qualquer concurso, provas ou seja o que for.

A Educação, a saúde, a lei e muito mais serviços, deverão ser regidos pelas leis do Estado (que é aquilo que lhe compete fazer), deverão ser apoiados e subsidiados pelo Estado, pois para isso descontamos, temos impostos, deveres e obrigações legais e económicas. Mas a gestão, o serviço, os profissionais e a implementação de tudo isso, deverá ser do povo, de quem for apto para tal, de quem tiver capacidade para exercer idoneamente esses serviços, públicos, em prol da sociedade.

As escolas devem ser criadas por professores, geridas por quem eles entenderem (gestores ou professores/gestores) e assim ascenderem a níveis de qualidade maiores, diferenciadas, com currículos mais adaptados a quem os procura e a intervenção mais prática na sociedade. Quem tem a ideia de que todos os professores querem ser funcionários públicos (porque pensam que os professores não querem fazer nada e a isso conotam com a função pública)???

Bem, já expus algumas das minhas ideias. Se quiserem mais… peçam, que eu cá estou.

Se não concordarem, óptimo, é sinal que têm alternativas, talvez melhores ainda.
Se ficarem na mesma… bem, o caso se calhar é grave. Fiquem bem.




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