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Professores-assessores?

Ficamos admirados com a ocupação que o actual Primeiro-Ministro, dr. Santana Lopes, queria para os professores que não têm que fazer, por força dum desastroso processo de colocação.

N/D
1 Nov 2004

As ex-direcções escolares garantiram, num passado recente, as colocações correctas e a horas de educadores e professores do 1.° Ciclo. Nesse tempo não havia dramas, tudo corria sobre rodas É esta a verdade que os tempos de hoje, infelizmente, confirmam. Se não restaurar, pelo menos imitar. Por causa da balbúrdia das colocações falam em fazer dos professores, assessores de juízes.
Assessores ou amanuenses de juízes? Os professores são bons demais para criados e são maus demais para assessores. Nem os juízes gostariam de ter criados “tão ricos”. É preciso dizer que os professores não são minimamente iniciados em coisas de Direito, nem muito menos em coisas jurídicas para dar qualquer tipo de assessoria.

Se os querem numa posição de dignidade adequada com a suas competências, ocupem-nos em funções condizentes com as suas habilitações. Não inventem. No nosso entendimento, estes professores não estão a mais, são precisamente aqueles que fazem falta às escolas.

Colocávamo-los a dar uma parte prática às aulas de 90 minutos. Intuir, compreender e até conceber uma certa lógica no entendimento de conhecimentos teóricos das aulas não chega; para consolidar o conhecimento é preciso saber aplicar; os exercícios práticos, em vez de serem tirados dos livros, poderiam muito bem ser feitos, nas escolas, por estes professores das práticas. E isto se afirma para todas as disciplinas, quer sejam matemática, física, química, geografia, ciências naturais, e quejandas; e o mesmo se poderia passar com as línguas nacional e estrangeiras, etc., etc.

O português ficaria a ganhar com textos elaborados por esses professores práticos, porque retratariam realidades da escola, episódios dos recreios, conversas de adolescentes. Belos tesouros de estímulos garantidos; porquê substituí-los por textos dos manuais, sem qualquer interesse. Era a própria escola que ali estava. E a história da terra e da localidade? Seriam ponto de partida para outras histórias de que falam os programas. Mas tudo isto só é possível se houver professores “a mais” para a formação de equipas de professores práticos.

Poderíamos ainda ocupar estes professores em organizadores de torneios desportivos, em festas e animação escolares, intercâmbio com escolas de diferentes regiões, organização de colóquios e seminários, encontros com escritores, contistas, poetas, enfim uma infinidade de coisas que, por si sós, associariam à escola de cultura de hoje uma escola cultural que tarda a aparecer.

Porque a escola não pode ser apenas culta, também deve saber fazer cultura, é que transformá-la é preciso. Tudo isto pode e deveria ser feito com professores sem horário lectivo distribuído, agora assessores de magistrados e juízes? Não tomem a sombra pela figura se não querem fazer de néscios.




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