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Duzentos à hora!

A indicação não é de uma qualquer corrida automobilística nem de nenhum concurso de tunning. Também não é o novo limite de velocidade nas auto-estradas (portuguesas ou europeias) e muito menos algum incentivo de taxa de produtividade… a curto prazo. Este “200 à hora” é tão somente a tradução em escudos com que vão ser pagos os desempregados – seja qual for a categoria! – na Alemanha, inseridos numa campanha de combate ao subsídio de desemprego a que (até) tinham acesso. Assim cada pessoa vai receber a partir de Janeiro um euro por cada hora de trabalho realizado.

N/D
1 Nov 2004

Explicando: o Estado, na Alemanha, não vai continuar a suportar por inteiro quem estiver desempregado, mas exige que tenha uma ocupação, paga na base de um euro à hora, e complementado até ao montante (mínimo) estabelecido por lei (345 euros por mês). Desta forma se pretende – ao menos teoricamente – tirar da profissão de desempregado quem tenha recorrido, ocasional ou mais demoradamente, àquele “benefício” do Estado-previdência… quase falido.
Por certo se lembrarão que, em meados de Outubro, o primeiro-ministro português sugeriu que os professores sem colocação poderiam ser assessores dos juízes por forma a desemperrar alguns processos. Esta sugestão – que tem tanto de inédita quanto de esquisita – apareceu depois de Santana Lopes ter recebido em visita oficial Gérard Schröder (chanceler alemão), em Lisboa. Será que foi este que impulsionou a tão inesperada solução do governante português? Teremos (já) compreendido o alcance da proposta? Até onde irá a ousadia do governo e a (respectiva) aceitação/rejeição dos sindicatos?

A ideia de “emprego estável para toda a vida” parece estar por fios de aranha em manhã de neblina. Vivemos, com efeito, numa Europa onde se deu a capitulação do modelo económico, social e cultural de um certo nível de vida comodista, com direitos adquiridos e deveres reduzidos. Poderemos, a muito curto prazo, assistir, de facto, a conflitos sociais em larga escala, tendo em conta alguma racionalidade de teor gastro-intestinal.

Com o abolir das fronteiras entre países – embora com reais interdições entre nações e estados! – estaremos capazes de perceber os riscos que estamos a correr? Até onde irá a capacidade de discernimento do que é essencial e/ou secundário na construção desta Europa que abjurou – ao menos em certos mentores mais ou menos conhecidos – os valores com raiz cristã?

Aquilo que já se vive noutros países da Europa chegará rapidamente a Portugal. Temos de estar prevenidos…




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