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Tolerantes ou tolos?

O bispo de Córdoba /(Espanha) pediu, esta semana, aos cristãos que recuperem o «orgulho de serem filhos da Igreja».

N/D
28 Out 2004

«A Igreja – disse Mons Juan José Asenjo – precisa, hoje mais que nunca, de homens e mulheres de uma fé consistente e de uma vida espiritual profunda. Homens e mulheres que levem o seu compromisso cristão ao mundo da cultura e da arte; à escola e à universidade; à acção política e à economia; ao trabalho e à acção sindical; ao lazer e aos meios de comunicação social».

Para o prelado, esta é a forma de fazer face a uma cultura secularizada, que empurra Deus do mundo, quase sempre com a conivência dos que vivem a sua fé de forma intimista, individual e anónima.

Há dias, um amigo confessava-me o seu desapontamento perante esta espécie de vergonha de ser cristão que por aí campeia. E dava como exemplo o que acontece em alguns debates televisivos, sobre temas de candente actualidade que envolvam perspectivas éticas ou religiosas.

Dizia-me: «É frequente que todos os intervenientes tenham convicções e as afirmem, e que o “representante” católico seja o único a ter opiniões mais ou menos difusas, à procura de as tornar consensuais. Não raro, desvirtuando ou amenizando a doutrina».

Penso que a este meu amigo lhe sobra razão: andam por aí edições light do Evangelho, expurgadas das mais sérias exigências. E nem sequer lhe colocam a honesta anotação gráfica dos cortes efectuados, como ao menos faziam os editores dos Lusíadas dos meus tempos de estudante, incapazes de suportarem alguns episódios ou estrofes!…

Não podemos, com certeza, impor aos outros critérios e mundividências; mas temos todo o direito de os propor com clareza, valentia e coerência.

Ser tolerantes não é o mesmo que ser tolos. E não deixa de ser grave que, para não corrermos o risco de que nos chamem fundamentalistas (hoje o rótulo distribui-se a torto e a direito), sejamos pacificamente… cobardes!…

Se me permitem uso uma metáfora futebolística: neste jogo de intervir no mundo, nós, os cristãos, estamos a perder por falta de comparência!…




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