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Os pedidos de demissão

A demissão é um abandono do cargo. Conforme este seja ou não político, a demissão assumirá também esta designação.

N/D
27 Out 2004

O pedido demissionário tanto pode ser apresentado pelo próprio, como exigido por quem tenha poder para o impor.
No primeiro caso, a demissão pode ser considerada uma negação ao voto; na segunda hipótese, a demissão imposta é um acto de reprimenda oficial.

Portugal é um país democrático, onde o prazo do voto popular se encontra regulado pela Constituição Portuguesa e pelo Código Legislativo vigente.

Qualquer atentado contra esta realidade torna-se um desrespeito da soberania popular e uma flagrante ilegalidade porque, bem ou mal, o povo é quem tem o direito de escolher.

Pois, apesar de todos estes princípios, a cada passo se assiste ao apelo de grupos, mais ou menos politizados, a pedir a demissão, ora do governo, ora deste ou daquele político, sem o mínimo respeito pela soberania popular.

Simultaneamente, estes agrupamentos proclamam-se democratas e fieis respeitadores do regime.

– Não se compreende como e, muito menos, com que direito, uma vez que pretendem substituir e negar ao povo o soberano direito de eleição, em sufrágio universal!…

Quem não respeita a soberania popular não se pode proclamar democrata, porque a conduta exercida aproxima-se mais da ditadura do que da democracia.

Ao fim e ao cabo, o tal pedido de demissão não passa de uma ilegal usurpação de poderes e a transformação do pais democrático numa ditadura corporativa.

É esta tentativa de substituir o povo e não respeitar os prazos eleitorais que deixa o país do avesso.

Para melhor compreender esta situação e ressalvando sempre as devidas excepções, será altura dos portugueses se concentrarem e, sem paixão nem compadrios, colocar a si próprios as seguintes perguntas:

– Quem comanda a saúde é o doente ou são os médicos?… Na justiça é a lei do código ou a decisão do magistrado?… No ensino é a educação do aluno ou o salário do professor?… Na fábrica é a produção ou o emprego?… Na repartição é a competência ou o «pedido»?… No jornalismo é a notícia ou a venda?… Na rua é a voz do povo ou o slogan político?…

– A opinião pública resulta do pensar popular ou é construída pela comunicação social?… O parlamento discute os problemas da nação ou vai-se entretendo com questiúnculas de somenos?… Portugal trabalha ou discute futebol?… Reza a Deus ou faz promessas aos santos?… Estuda ou passeia os livros?… Vai para o emprego ou vegeta no café?…

Muitas outras questões se podiam aduzir, para demonstrar a influência dos grupos corporativos na vida dos portugueses, com menosprezo da soberania popular.

A todos os portugueses sabem dar a resposta. Só a não dão e a não impõem, por incultura e falta de coragem.

Mas, assim, não vamos a lado nenhum!…

A situação económica continua deteriorada e não se vê luz, no início, a meio, nem ao fundo do túnel.

Se hoje não é cedo, ontem já passou e amanhã … é capaz de ser tarde.

Portugal, para sair do charco, precisa de mais concentração, de mais labuta, de mais produção e… de menos questiúnculas!…




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