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A lição do Santo Padre

Hoje querem impor-nos uma espécie de «despotismo intelectual», sob a capa da liberdade democrática

N/D
27 Out 2004

Impressiona-nos sobremaneira a preocupação do Santo Padre em abordar, para esclarecimento dos fiéis e também dos agnósticos que tenham a mente liberta, os problemas que vão surgindo com as decisões de ordem política que se vão tomando em vários países e que contradizem os mais elementares princípios do cristianismo.
Dois factos registamos, nos últimos tempos, que deveras nos impressionaram. Por três razões:

– Porque o Santo Padre não silencia a sua voz quando se impõe tornar pública a voz do Evangelho;

– Porque não olha aos cargos que os interessados ocupam na sociedade ou no campo político;

– Porque o encontro com o Papa é sempre um acontecimento que se torna histórico. Nem os mais agnósticos ficam indiferentes!

Dois momentos registamos com especial relevo:

O primeiro diz respeito ao actual primeiro ministro de Espanha. Rodrigues Zapatero, uma vez eleito, logo acorreu a uma visita ao Vaticano para cumprimentar o Santo Padre. João Paulo II recebeu-o com cordialidade e desejou-lhe felicidades no desempenho das funções, aproveitando a ocasião para frisar bem os valores do matrimónio que nenhuma legislação deveria pôr em causa, só porque está na moda liberalizar tudo, sem olhar às consequências. Falou ainda da importância da educação religiosa nas escolas e do devido lugar que a mesma deve ocupar.

Quando visitou Lurdes, Chirac apressou-se a ir cumprimentá-lo, facto que o Santo Padre registou com simpatia e agrado, mas sem que isso impedisse de lembrar o legado do cristianismo na construção europeia. Isto diante do representante máximo do País que mais entraves colocou para que se fizesse menção, no preâmbulo da Constituição Europeia, da importância das raízes cristãs na consolidação da Europa.

Na Festa Nacional de Espanha, em 25 de Julho, Rodrigues Zapatero acompanhou os Reis a Santiago de Compostela. Na homilia, o arcebispo de Santiago fez críticas fundamentadas às propostas do Governo Socialista em matéria de Educação Católica nas escolas públicas, de aligeiramento nas facilidades de divórcio e de legalização do aborto, bem como na autêntica aberração de querer chamar matrimónio à união dos homossexuais e na proposta de lhes conceder o direito de adopção de crianças.

E o arcebispo de Santiago fez estas afirmações explícitas: «A Igreja, sempre e em toda a parte, deve pregar a fé com verdadeira liberdade e emitir um juízo moral também sobre as coisas que afectam a ordem política, quando o exigem os direitos fundamentais das pessoas ou a salvação das almas».

Uma outra afirmação de Julián Barrio importa reter: «Quando o laicismo se apresenta como um dogma público fundamental, e a fé apenas é tolerada como opinião privada, não é tolerada na sua verdadeira essência».

Hoje querem impor-nos uma espécie de «despotismo intelectual», sob a capa da liberdade democrática. Só não pode ser livre, para tais iluminados, expor convictamente as convicções religiosas de cada um, de acordo com a fé que se professa.

João Paulo II não se cala e dá-nos o exemplo a seguir.




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