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802.Meu Caro Leitor:

1 Ora, então, hoje vamos a um bate papo sobre política caseira. Política à portuguesa! Uma política de caserna, de possidónio! MEDÍOCRE!

N/D
27 Out 2004

Vejamos, por exemplo, como ela vai nos arquipélagos (Madeira e Açores). Aqui, as coisas acontecem como quase tudo que acontece numa ilha: longínquas, desligadas, auto-suficientes.

E com uma dicotomia bem original: na Madeira, manda o PSD e nos Açores o PS. O resto é paisagem! O que significa, governos de maiorias absolutas com líderes carismáticos!

Alberto João Jardim (dinossauro excelentíssimo) só continua à frente do governo regional, porque ainda não arranjou (e também já lá vai o tempo), no Continente, um cargo compatível, como aconteceu com Mota Amaral!

E, por isso, dá-se ao luxo de, com a sua reconhecida e gasta frontalidade, insultar as eminências, mesmo pardas, da política nacional. E nem o governo do seu partido escapa à sua truculência de ilhéu desbragado!

Por seu turno, Carlos César vai treinando para dinossauro, igualmente. E, embora diga que abandona a presidência do governo regional dos Açores daqui a quatro anos, eu aposto que só o fará se, no Continente, estalar o tal tacho que Jardim persegue, há muitos anos!

Entretanto, uma lição há a retirar da situação: os ilhéus não gostam nada de mudanças. Preferem mesmo a imagem do pai que é protector, facilitador, pródigo. O político-pai que, dando emprego, distribuindo benesses, protegendo negócios faz a definição perfeita do dinossauro!

2. Agora, por cá, amigo Leitor, as coisas não vão menos desinteressantes! A dança dos nomes nos partidos políticos, por exemplo, é tema assumido em jeito de bailinho (ora, agora entras tu, ora, agora entro eu). O PC vai substituir o secretário-geral, contra a sua lógica de sucessão monárquica; o PS, em meia dúzia de anos, já vai no terceiro secretário-geral; o PSD até de primeiro-ministro mudou a meio do campeonato. Só o PP parece cultivar a imagem do político-pai!

Todavia, em termos de política real, a situação está preta: a crise económica não cede ao tratamento de choque governamental e vai, falaciosamente, vivendo de permanentes engenharias financeiras (do género, tira de um lado, põe noutro e fica tudo na mesma), como acontece com a descida de alguns escalões do IRS à custa do fim dos benefícios fiscais!

E a situação não pode manter-se, porque assenta em bases falsas e é presa fácil de políticas partidárias e pressões de variados lóbis. De que é exemplo claro a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI!

Por isso, caro Leitor, o presidente da República que não quis demitir o Governo e convocar eleições, aquando da saída de Durão Barroso para a Europa, agora começa a ter rebates de consciência e espreita uma escorregadela da coligação governativa para corrigir o seu erro. E, assim, limpar a nódoa de traidor com que a esquerda o mimoseou e, como bom socialista, desejará, antes da sua reforma política, em 2006, deixar o seu partido no poder.

E Sócrates entrou no PS pronto a cumprir este desiderato, certo de que o Presidente, ao convocar eleições antecipadas, lhe servirá o poder na tal bandeja rosa! A mesma que Mário Soares, já noutros tempos, usou!

Entretanto, que faz Santana Lopes? Vê passar os comboios? Claro que não. E com o tal sentido de oportunidade e ante-cipação que lhe é, sobejamente, reconhecido, só tem uma saída: a demissão!

E só assim, transformando-se em vítima ele parte para as eleições com o elã ganhador que lhe é inato! As suas vitórias autárquicas inesperadas, es-pectaculares mesmo, de Lisboa e da Figueira da Foz, falam por si!

É caso para dizer: Belém, S. Bento e o Rato vigiam-se, mutuamente, num jogo assumido do gato e do rato! E à espera que uma ou outra casaca de banana, de um lado e do outro lançada, cumpra a sua obrigação!

Assim vai, caro Leitor, a política à portuguesa!

Com um abraço e até de hoje a oito!




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