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Nótulas soltas da minha agenda

Num país de emigrantes, em que muitos dos empregadores foram emigrantes, como se pode aceitar o tratamento esclavagista dado a quem hoje precisa de trabalho justamente pago e usufruindo dos direitos inerentes!

N/D
25 Out 2004

1 O “telelixo” veio para ficar. Com ou sem celebridades (?!). Temos a televisão que queremos. A que merecemos. Parafraseando Eduardo Lourenço, em “O esplendor do Caos”, temos a televisão que merecemos e merecemos a televisão que temos.
Resta-nos o “zapping”. Ou deslizar a televisão. Que nunca nos sirva, porém, de rolha e nos impeça de dialogar. Deixar de comunicar seria o pior que aquele aparelho nos poderia fazer. Sobretudo a nível da família, onde o espírito crítico deve ser exercido sobre o que se vê no espectáculo doloroso e frequentemente disforme da televisão.

2. Os recentes temporais vieram, mais uma vez, chamar a atenção para algumas “fragilidades” do nosso planeamento urbano. Enxurradas, inundações, queda de árvores, entre outras marcas deixadas pelos fortes ventos e cheias torrenciais, deveriam ser “lidos” e interpretados. A má ocupação do solo merece cuidados futuros.

A acção antrópica mal dirigida dá os seus frutos. Está à vista.

3. Os antigos combatentes manifestaram-se em lisboa no passado dia 20. Obrigados a ir para a guerra, em condições, muitas vezes, de fortíssimo perigo, puseram a sua vida em risco. Muitos morreram. Muitos ficaram estropiados. Merecem do país outro respeito. Bem sei que muitos dos actuais decisores políticos são muito novos e não conheceram a guerra. Bem sei, também, que muitos estão a ser homenageados por terem desertado e, por isso, se lhes rendem todas as vénias. Torna-se, assim, incompreensível para estes, que se faça justiça (não queremos homenagens!). Como antigo combatente na Guiné, estou em sintonia com os meus companheiros de África.

Com eles, também, peço justiça. Respeito. E já, enquanto ainda estamos vivos! Fique claro que a responsabilidade política pelo abandono e esquecimento a que foram votados todos os antigos combatentes vem de longe. Mas já é mais do que tempo para que se faça “justiça justa e já!”.

4. Doeu-me a alma, outro dia, ao passar junto à Igreja dos Congregados (Braga). Um homem, jovem, mendigava para comer. Era um Ucraniano sem “eira nem beira”. Sem pão. Foi explorado na construção civil. Abandonado à sua sorte, finalmente. Num país de emigrantes, em que muitos dos empregadores foram emigrantes, como se pode aceitar o tratamento esclavagista dado a quem hoje precisa de trabalho justamente pago e usufruindo dos direitos inerentes!

5. Não sou adepto de futebol. Nada sei deste desporto, mas não posso deixar de lamentar, como simples cidadão, a “porcaria” que nos é dado ver na comunicação social e respeitante ao futebol. Insultos do pior. Linguagem imprópria. Agressões de todo o tipo. Lamento e tenho pena que a situação seja esta. Gostaria de ver as relações humanas um pouco melhores, sobretudo por que se trata de um desporto que arrasta multidões (muitos de sofá!) e, como tal, o comportamento dos seus dirigentes é referência.

6. Continuamos com a situação inadmíssivel dos professores não colocados e ou mal colocados. E ninguém se sente culpado por este “estado de coisas”. Como já aqui escrevi é urgente fazer um debate muito mais profundo do que a mera, ainda que importante, colocação atempada dos docentes.




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