Fotografia:
Chover no molhado (47)

A pessoa bem integrada no seu meio social é, pois, a que acolhe os seus valores e critérios de conduta

N/D
22 Out 2004

Caro leitor, vou insistir, sintetizando o anteriormente afirmado, na importância premente da socialização intrínseca da pessoa humana, espelhada na sua conduta.
É minha intenção estabelecer uma dialéctica, chave muito querida dos filósofos, a favor da socialização intrínseca da pessoa e da sua socialização como processo de aprendizagem, de identidade, de interacção e interiorização dos modos de actuar do seu meio social.

A socialização da pessoa como processo de aprendizagem projecta-nos para o campo da cultura, enveredando-nos, a seguir, pelos caminhos da enculturação e aculturação, com tónica nos seus valores. Arvora-se, aqui, a bandeira da integração e da solidariedade da pessoa com a comunidade a que pertence.

A pessoa bem integrada no seu meio social é, pois, a que acolhe os seus valores e critérios de conduta. A fiscalizá-la está, constantemente, o punho da coacção de uma legítima autoridade sempre atenta a desajustamentos dos valores, que agasalham esta comunidade.

A pessoa parece estar caída no poço do determinismo e da passividade. Contudo, a pessoa é dinâmica, livre, inteligente e apaixonada. Goza, como o ser, da unicidade, raiz da sua unidade. Permanece sempre a mesma pessoa em todas as suas formas existenciais. É Una na pluralidade, Idêntica na diversidade, Estável nas suas mudanças.

As formas constituem, pois, a unidade, manifestadora da dinâmica, da liberdade, da inteligência e da paixão. Desta unidade sobressai altivo o amor. Tudo aqui pede interdependência, conexão e recíproca cooperação. Tudo pede organização, medida e harmonia.

Não é a dicotomia que o pensamento racional e o afectivo-emocional pedem, mas sim a necessidade da sua união. Esta vai ser obtida pela pessoa, com seus avanços e recuos, através do auto-conhecimento, da auto-compreensão, do auto-controlo, auto-gestão, motivação intrínseca e empatia, força dissolvente das suas obtusas resistências. Eis os caminhos a percorrer para efectivar a integração, com êxito, no seu meio social.

É esta unidade, espelhada na conduta, que advogo para o processo da socialização intrínseca da pessoa autónoma, como ser activo. Esta entra agora em dinâmicas de interdependência e cooperação com os valores e critérios de acção da comunidade, para a eles se adaptar, mas também para os inovar e modificar.

Vou abrir, então, o diálogo e a dialéctica entre a reciprocidade da socialização intrínseca da pessoa autónoma com a sua socialização como processo de aprendizagem. Ao diálogo vou pedir-lhe a contribuição para o enriquecimento do pensamento racional, bem como do pensamento afectivo-emocional.

E à dialéctica, de igual modo lhe pedirei, com base naquele enriquecimento, que favoreça o processo de crescimento da paz, da ordem, da segurança, da justiça e da disciplina, condições necessárias para a maturidade e saúde integral da pessoa, bem como da comunidade a que pertence.




Notícias relacionadas


Scroll Up