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Palavra de inteira justiça

1 Para desgosto de algumas pessoas, não sou nada dado a salamaleques. Por isso, não ergo capelas com facilidade e até desconfio de santos feitos a partir de árvores que conheci muito bem… No entanto, o salamaleque nada tem a ver com o reconhecimento obrigatório do mérito e a gratidão, verdadeiros pontos de honra.

N/D
20 Out 2004

Ninguém estranhará, por isso, a singularidade da minha intervenção de hoje neste espaço, para me referir ao Padre Júlio Vaz, que em cada quarta-feira – tal como hoje acontece-nos tem oferecido a pertinência dos seus escritos, “ao correr da pena”.

A oportunidade é-me dada pelo aniversário natalício que amanhã celebra: 88 anos – a maior parte dos quais vividos em entrega sacerdotal, servindo a Igreja e a cultura. Nomeadamente, através das páginas deste jornal.

Se Deus quiser, há-de conti-nuar a fazê-lo. Naturalmente, segundo o ritmo que a si mesmo imponha – pois nenhum dos que o lemos com proveito e atenção se sentirá no direito de lhe exigir outra assiduidade, senão a ditada pela sua disponibilidade ajudada pela saúde…

Mantendo a expectativa de uma colaboração generosa, saberemos, pois, procurar semanalmente a sua palavra; e saberemos ouvir eventuais silêncios, que o descanso imponha.

2. Já no Natal de há dois anos, perante funcionários e colaboradores do Diário do Minho pude dirigir ao Padre Júlio Vaz palavras de apreço e gratidão; sentimentos que hoje renovo e que torno extensivos ao Cónego António Luís Vaz, cujo estado de saúde obstou a colaboração que também mantinha com o DM.

Em já distantes tempos de menino e moço, nas carteiras da Tamanca (Seminário Menor) tive-os como professores de Português, ficando-lhes a dever – assim como ao Euclides Rios – o gosto pela escrita e algum cuidado na forma. Esforçaram-se de tal modo que se não dei frutos mais saborosos, a culpa não foi dos semeadores, nem da semente, mas apenas da terra juvenil, solta como levandisca…

Do Padre Júlio Vaz, recordo a exigência ortográfica e o esforço com que nos guiava, de palavra em palavra, para a alma dos textos. Recordo, igualmente, o humor com que sublinhava as interpretações mais bizarras, quando algum dos seus alunos encontrava o mais esquisito dos significados para a mais escorreita das expressões…

Ainda uma outra memória: há cerca de um ano deixámos de nos cruzar na rua de Santa Margarida.

Umas vezes chamava-me “menino”; outras, “comandante”. Mas fosse qual fosse o vocativo, a recomendação era sempre a mesma: «cuida-te e não desanimes, que o teu trabalho é muito importante!»

Olhe, Padre Júlio, cá vou tentando. Mas cuide-se também… E, se puder ser, até quarta-feira!…




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