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A política e os políticos

Entramos numa nova fase da actividade política em Portugal. Com a saída de Durão Barroso para Bruxelas, a oposição ao Governo que, automaticamente, caiu com o cessar de funções do primeiro Ministro, trouxe uma série de factos que concretizaram uma realidade: a Oposição quer o poder, não quer o trabalho que cabe a todos os que ocupam cargos com essa função.

N/D
20 Out 2004

Vejamos. Quando o Presidente da República assumiu as suas responsabilidades constitucionais e garantiu o regular funcionamento das instituições encarregando o partido maioritário de indicar o nome para primeiro ministro, toda a oposição de esquerda se lançou numa campanha ordinária contra a decisão de Jorge Sampaio.
Ora, este, insuspeito de amores pela direita, depois de devidamente assessorado sobre a constitucionalidade da decisão a tomar, decidiu como em consciência lhe pareceu melhor para o País. Tal atitude, porém, provocou a ira dos partidos de esquerda e até de algumas personalidades conotadas com a direita.

E os jornais, rádios e televisões nunca mais deixaram de espelhar o ambiente que nos grandes meios de comunicação se vive, pois a maioria dos seus jornalistas são nitidamente de esquerda e realçam o que a mesma esquerda diz contra o governo em funções. Apregoam isenção, mas infringem-na despudoradamente.

A recente comunicação de Santana Lopes ao País foi acusada de eleitoralista e de desrespeitadora da Assembleia da República por ter avançado com alguns elementos fulcrais do Orçamento de Estado que, poucos dias depois, foi apresentado formalmente e na totalidade na Assembleia da República. Santana Lopes foi claro no que disse e oportuno na informação que deu ao País.

A oposição, pela enésima vez, veio logo censurar e criticar negativamente. Nem sequer se manifestou satisfeita com o anúncio da subida das pensões mais degradadas e com o aumento da função pública após dois anos sem aumento para quem recebia acima de mil euros mensais.

Entre nós, aproveita-se a luta política, não para realmente esclarecer e aprofundar as questões, propondo alternativas sérias e credíveis de melhor governação e resolução dos problemas, mas para fazer chicana política e o «bota abaixo».

O economista João César das Neves declarou recentemente que «foi Guterres quem abriu as portas aos lóbis que hoje vivem à custa do Orçamento de Estado». E perante o facto de haver funcionários públicos a mais do que é comum nos restantes países evoluídos, escreve: «Seria um alívio para a economia despedir funcionários públicos».

Tal medida, porém, é impossível legalmente e significaria um autêntico terramoto político, nas actuais circunstâncias.

Santana Lopes e o seu governo sabem bem que as dificuldades são muitas e de difícil solução. Algumas são mesmo quase irresolúveis, como é o caso dos gastos com os funcionários públicos sem fazer uma verdadeira reforma da função pública. Mas, apesar das dúvidas que muitos colocaram às capacidades do novo governo, o certo é que já avançou para reformas que ninguém tinha tido a coragem de enfrentar, como a da lei do arrendamento.

Ele mesmo afirmou que: «como condições essenciais para acção do Governo» sublinhava a estabilidade institucional, no cumprimento da Constituição e a estabilidade da coligação que suporta maioritariamente o Governo na Assembleia da República. Esta realidade, recentemente reafirmada pelo Presidente da República, incomoda vivamente a oposição que queria ver o Governo demitido de imediato e que se convocassem as eleições.

A oposição de esquerda nem sequer tem coragem de se referir positivamente aos actos e decisões do Governo que se repercutem positivamente no estrangeiro. Fica-se com a impressão de que a esquerda não olha para o Governo como pessoa de bem que realmente quer e se empenha em encontrar soluções para os problemas que a sociedade enfrenta e que urge superar.

E onde, naturalmente, o contributo da oposição é fundamental, não só como vigilância, mas sobretudo como meio de contrastar propostas de actuação que os cidadãos possam confrontar e delas extrair ilações na altura oportuna em que são chamados a ajuizar da governação realizada: as eleições. Mas não é isso que acontece. Para a oposição, o Governo, na maior parte das vezes, é encarado como um «inimigo» odiento que urge abater de qualquer maneira.

Entre nós, a esquerda prefere ser ela, onde quer que esteja, a comandar como melhor lhe aprouver para os seus próprios interesses e não, tendo em vista o verdadeiro interesse nacional.




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