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801. Senhor Ministro da Administração Interna

1 Porque em cada peito lusitano pulsa um coração de guerreiro, um coração de leão, a guerra civil nas estradas continua! E são, anualmente, aos milhares as vítimas desta insólita catástrofe, sobretudo, os estropiados e diminuídos!

N/D
20 Out 2004

E tudo a fazer de conta… que somos os maiores! Uns fãngios do volante!

E isto acontece, muito absurdamente, por uma questão de mentalidade, de cultura. Ao volante, o português transforma-se, mesmo até num rambo, num assassino! E, assim, de instrumento obrigatório e básico de trabalho, o carro passa a objecto de poder, de afirmação pessoal e social!

Ora, psicólogos, sociólogos e antropólogos têm gerado resmas de papel em teses e explicações sobre o fenómeno que nos põe, a nível europeu, em primeiro lugar! Um primeiro lugar pelas piores e mais sórdidas razões!

Mas, tenho cá para mim, senhor Ministro, que a coisa só vai mesmo ao arrocho, à bordoada. Que é como quem diz com mais fiscalização e maior punição! Porque se há animais que só se educam assim, o homem, embora animal pensante, não foge muitas vezes à regra.

E não vale a pena pensarmos que isto vai melhor, que as gerações futuras serão diferentes, que as mentalidades estão a mudar! Sim, estão a mudar mas para pior. Basta vermos o que se passa com os aceleras nocturnos!

Depois, as escolas são o que sabemos, os políticos dão o exemplo que dão, as polícias sentem-se desautorizadas e impotentes… Enfim, está criado o quadro perfeito para a bagunçada!

2. Assim sendo, não deixa de ser caricato o que se passa com o seguro obrigatório automóvel! Segundo as estatísticas, as despesas do Fundo de Garantia Automóvel, que substitui os condutores que não têm o dito seguro no pagamento de danos materiais e individuais às vítimas, duplicaram entre 1999 e 2003!

Sabe-se também que cerca de 70 mil veículos circularam em 2003 sem seguro. E até há pesados de mercadorias incluídos neste rol (mais ou menos 4 a 4,5%). E mais: 85 a 90% dos infractores são jovens, em média, de 31 anos, comprovando que as mentalidades e a cultura não mudaram mesmo nada!

Diz o Código da Estrada que a multa por ausência de seguro é de 350 euros, salvo erro! Ridículo, senhor Ministro, pois o crime, nas circunstâncias, até compensa. É preferível, ao ser apanhado, o que pode acontecer uma vez na vida ou já passados vários anos sem seguro, pagar a multa.

Pois é. Então, vamos com falinhas mansas, muita pedagogia e paninhos quentes ou ar-riamos para baixo? Espera-se que o novo Código da Estrada, penso que já pronto para ser aprovado pela Assembleia da República, contemple novidades nesta matéria, inclusive, endureça as penas a aplicar aos infractores (elevação das multas, cassação da carta e apreensão do veículo).

E olhe, senhor Ministro, que é preferível, neste caso, ficar na história rodoviária do país mais por justiceiro do que por piedoso! Mormente, quando está em causa a luta em defesa da vida e da pessoa humana!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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