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Nótulas soltas da minha agenda

1 Li, com o maior interesse e curiosidade, a entrevista que Juan Luís Cebrián deu à “Pública” de 10 do corrente mês. Como todos os leitores sabem, este jornalista é o director de um diário espanhol de referência – o “El País”.

N/D
18 Out 2004

Numa época em que a mediacracia impera, que governa, elege deputados, destrói ministros e impõe valores (de forma mais ou menos subtil), não deixa de ser importante conhecer o que pensam os trabalhadores dos média.

Em Portugal, com a “crise” que Marcelo Rebelo de Sousa provocou ao sair da TVI como comentador vale a pena ler a referida entrevista. Permitam-me que transcreva a última pergunta e respectiva resposta:

– Qual é o maior defeito da imprensa?

– Não gosto de falar no geral. Há boa e má imprensa, bons jornais e jornais maus. Acho que há jornais muito bons. Os defeitos vão mudando com as épocas mas nas sociedades ocidentais o maior defeito dos jornais é ou a sua submissão ao poder ou, às vezes, acreditarem que podem eliminar o poder, e que o poder são eles.

2. Participei no dia 14, na Guarda, num interessantíssimo e oportuno Congresso sobre Família e Pobreza. De facto, entre outras ideias que foram trabalhadas, a pobreza, ou melhor, as pobrezas geram famílias vulneráveis e frequentemente desestruturadas. O inverso também é verdade. Por isso, faz todo o sentido reflectir e aprofundar este binómio: Família versus Pobreza.

E devemos ter a coragem de afirmar que Famílias onde faltam um dos seus elementos estruturantes, o Pai ou a Mãe, se tornam muito mais vulneráveis e os riscos de caírem na pobreza e, consequentemente, na exclusão social se tornam muito maiores. Como em tudo há as excepções. Estas, porém, não fazem a regra.

3. O Bispo de Leiria-Fátima «confirma abertura ao diálogo inter-religioso» (cf. Diário do Minho de 2004.10.13). Ainda bem. Diálogo inter-religioso não significa criar uma espécie de “nova religião”, mas criar nas religiões uma nova mentalidade de respeito pelos outros que andam por outras crenças e tentar encontrar pontos de união, lançar pontes em vez de as derrubar. Talvez, assim, possamos contribuir para um mundo mais pacífico!

4. Acho um verdadeiro escândalo o que se passa com Butiglione, indigitado para Comissário Europeu. Pelos vistos na Europa não é possível ser-se católico e exercer funções políticas! A perseguição, hoje, à Igreja, reveste formas muito mais severas do que as que a História nos revela. É indecente a forma como nos é apresentado aquele italiano!

5. Criado em Celorico de Basto, recebo dois dos periódicos que lá se publicam. Vi, com grande satisfação, no “Povo de Basto” de 30 de Setembro, e que recebi a semana passada, que o Grupo Desportivo de Codeçoso (ou Codessoso?) havia promovido uma exposição de objectos domésticos e agrícolas em uso ainda há algumas décadas. Vi as fotografias e li a notícia com enorme satisfação.

A memória de um povo cultiva-se assim, também, em actividades pequenas mas extremamente ricas. Não conheço (penso!) ninguém deste grupo, mas não posso deixar de felicitar os autores desta mostra!




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