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Educar – a arte por excelência(13)

Sem disciplina interior e sem exigência no desempenho profissional, o êxito na vida é impossível

N/D
18 Out 2004

Viver é, antes de mais, um domínio pessoal, o domínio das paixões dissolutas: é vencer, tomando como únicos guias a razão e a consciência rectamente formada.
É neste contexto que se compreende que o diletantismo sorridente de Anatole France, sempre tão indulgente com a volúpia, escondia um desespero mortal: «Se pudessem ler na minha alma, todos ficariam espantados. Não há no mundo criatura mais infeliz do que eu. Julgam-me feliz. Nunca o fui, nem um dia, nem uma hora sequer».

A este propósito, cito também a expressão que um certo “gozador da vida” quis que fosse inscrita, como epitáfio, na sua campa: «Tive muita felicidade e, apesar disso, nunca fui feliz».

Em nenhuma época como a nossa, os convites para o hedonismo, o egoísmo, a prepotência asquerosa, a devassidão e o labirinto voluptuário, multiplicados pela Comunicação Social, foram tão insistentes e tão docilmente obedecidos.

As gerações hodiernas esquecem-se que o Homem só se desenvolve e adquire a plena vitalidade e o completo vigor, na medida em que resolve obedecer à voz da consciência e do dever.

Um certo poeta grego, num poema dirigido à juventude, sentenciava: «Como hás-de achar o caminho que conduz ao país onde vive o teu desejo? Renunciando aos teus desejos».

Nesta ordem de ideias, os rituais integrantes das regras de algumas crenças orientais são modelos, pois o seu objectivo prioritário é desenvolver, no seguidor, o seu completo auto-domínio, o que exige um exercício diário e continuado.

É que, na base da educação, está a renúncia, o esforço e a organização metódica na vivência diária. É completamente ilusório e perigoso acreditar que é possível suprimir da educação a pedagogia do esforço e do método. Sem disciplina interior e sem exigência no desempenho profissional, o êxito na vida é impossível.

Se os educadores abdicarem desta metodologia, acabarão, mais cedo ou mais tarde, por cair no conformismo e no laxismo, favorecendo nos educandos a interiorização do relaxamento, da desmotivação, da indolência, do desnorte e da inépcia.

No enquadramento destas sugestões pedagógicas é extremamente elucidativo o testemunho que Duponloup nos oferece e que, por essa razão, merece uma reflexão profunda sobre a formação dos jovens.

Devido à condescendência exagerada com que os seus progenitores/educadores o deixaram crescer, dirigiu-lhes, já adulto, esta advertência: «As crianças divertem-nos… nós lisonjeamo-las e deixamos que todos as lison-jeiem… alimentamos-lhes todas as fantasias, as pequeninas paixões, mesmo as mais depravadas… De repente, descobrimos nelas, com pavor, uma desoladora secura de espírito, uma depravação profunda, e, por fim, estas lindas crianças transformaram-se em seres odiosos, apercebemo-nos, então, demasiado tarde, que não há seres mais duros, mais soberbos, violentos, egoístas, mais ingratos e odiosos do que estas crianças estragadas pela moleza educativa…»

Esta transigência exorbitante de muitos pais, educadores e pedagogos modernos, vai encorajando nas crianças e nos educandos o enraizamento de uma liberdade descontrolada que, ao satisfazer imoderadamente os seus caprichos e instintos, acaba por os transformar em adultos irreverentes, verrinosos e devassos inveterados.




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