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Palavras, não mais do que isso!

Um estudo do INE deu a conhecer que no ano 2000 um quinto dos portugueses sobrevivia com um rendimento mensal inferior a 183 euros.

N/D
15 Out 2004

O mesmo estudo divulgou que comer carne ou peixe é proibitivo a dois milhões da população portuguesa. A aquilatar pelas alterações verificadas de âmbito social nesses extractos da sociedade, a realidade actual pouco deve diferir do que foi dado a conhecer sobre os dados de há quatro anos.

Constata-se, para nosso grande desencanto, que entre o que se apregoa e o que se pratica, existe um grande abismo diferencial que afecta sempre os mesmos.

Entretanto, para os de cima, não existem quaisquer limites! Vencimentos de todo escandalosos, numa quadra cujo panorama económico ainda está bem longe de augurar dias melhores para a maioria do povo português. E, perante isto, para além do sacrifício de dois anos sem aumentos, são divulgados verdadeiros atentados de âmbito contratual.

Apenas dois exemplos: numa instituição do Estado, a CGD, permite-se atribuir de aposentação, para um exercício inferior a dois anos, uma soma superior a 18 mil euros. Nessa mesma instituição bancária, de rajada, foi facilitada a entrada de onze administradores, cujos vencimentos oscilam entre 17 a 25 mil euros.

Numa empresa ainda estatal, a GALP, foi permitida a entrada a administradores, com início retroactivo de quinze anos, isto é, a quem entra, graúdos é evidente, é-lhes concedido um bónus de 15 anos de antiguidade.

E, com a maior naturalidade, quem de direito, confirma essa arbitrariedade, afirmando simplesmente que tem sido prática adoptada ao longo dos anos, desde que haja acordo entre as partes envolvidas! Em concreto, foi confirmado que tem sido normal a enorme anormalidade!

Porque muito conhecida a frase “o cemitério está cheio de insubstituíveis”, não obstante a reduzida valorização dos homólogos de outros países aos gestores portugueses, custa-me aceitar como regra que sejam todos incompetentes.

Nesta linha de pensamento, será entendida como muito discutível a decisão de ter sido contratado um brasileiro para administrar a TAP. Conhecido o montante mensal auferido pelo citado gestor, interpela-se: não havia um gestor português, também competente, para o exercício do cargo, usufruindo um vencimento bastante inferior?!

De igual modo, para enfrentar o eterno problema da fuga aos impostos, só havia disponível, com elevado estatuto de competência, o administrador do grupo BCP, a quem foi oferecido um vencimento verdadeiramente escandaloso?!

São estas e muitas outras incongruências que nos deixam de todo perplexos! Num pobre país como o nosso, situações como as citadas são um verdadeiro atentado a um pobre povo que, na sua larga maioria, sente enorme dificuldade em sobreviver com vencimentos de miséria. Rigor e bom senso, palavras muito ao gosto do Primeiro-ministro, não têm passado disso mesmo: apenas palavras e nada mais.




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