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Acertar o relógio

Para andar com o próprio relógio certo o comum dos cidadãos necessita de poderconhecer atempadamente as horas do relógio padrão

N/D
14 Out 2004

O relógio é, hoje, um objecto que praticamente toda a gente possui. As próprias crianças dispõem dele e, por vezes, exibem-no vaidosamente.

Um relógio normal não é, de forma alguma, uma coisa supérflua. É necessário tê-lo, a fim de que cada um saiba a quantas anda. Embora os sinos, durante o dia (sim, que, de noite, só podem fazer barulho os estudantes e algumas casas de diversão) continuem a bater as horas, cada um de nós presta mais atenção ao próprio relógio do que ao relógio da torre.

Sendo um objecto, em princípio, de uso individual, o relógio é indispensável para a vida em comunidade, uma vez que as horas do relógio comandam a vida das pessoas e das instituições.

É indispensável, porém, que o relógio ande certo, tendo como ponto de referência o que se convencionou ser o relógio padrão. Se isso não acontece, ter e não ter relógio é quase a mesma coisa. De instrumento utilitário, passa a simples objecto de decoração. Tê-lo não acertado até pode ser pior do que não o ter, já que pode suceder de nos orientarmos por um relógio que nos engana e sofrermos dissabores e prejuízos por não chegarmos a tempo.

Sendo o relógio uma coisa minha, na realidade não mando nele. Se desejo que me seja útil não o posso pôr a marcar as horas que quero mas as que manda quem controla o tal relógio padrão. E só assim é que nos entendemos. Faz falta ter relógio mas um relógio que ande certo.

A nível de vida eclesial é importante que cada cristão católico e cada Igreja local andem com o relógio certo, isto é, actuem em sintonia com as orientações da Igreja diocesana e da Igreja universal.

No dia 7 de Setembro realizou-se a abertura oficial, nesta nossa igreja Bracarense, do novo Ano Pastoral, que se pretende seja voltado para as vocações. João Paulo II, no dia seguinte, tornou pública a carta apostólica Mane nobiscum Domine (Fica connosco, Senhor) em que renova o convite a que, até Outubro de 2005, prestemos especial atenção à Eucaristia.

Vocações e Eucaristia são, portanto, dois pontos de referência a ter em conta nas actividades pastorais das várias comunidades cristãs na área da nossa arquidiocese de Braga. E uma não prejudica a outra. Sem vocações ao sacerdócio não haverá quem presida à celebração da Eucaristia. Sem vocações para o serviço não haverá quem exerça, na celebração da Eucaristia, os diversos ministérios. Sem vocações contemplativas não haverá adoradores da Eucaristia.

Talvez seja hora de acertarmos o relógio. De nos pormos em sintonia com o tal relógio padrão – o programa pastoral da Diocese e a proposta feita pelo Papa. Não me parece que tenha grande vantagem cada um andar a puxar para o seu lado, quero crer que não em busca de notoriedade ou de vedetismo.

Nas palavras que proferiu por ocasião da abertura solene do Ano Pastoral D. Jorge Ortiga afirmou: «Reconhecendo a originalidade e o específico de cada movimento ou congregação religiosa, não gostaria de ouvir outras mensagens ou de presenciar outras iniciativas. Tudo parte ou se orienta para este chamamento coral que envolve a todos. O mal da Igreja continua a ser o aventureirismo e o desacreditar da força que só a comunhão encerra».

Se nos deixarmos levar pela ideia de que no meu relógio mando eu e o meu relógio há-de marcar as horas que quero que marque, pode acontecer de não chegarmos a lado nenhum ou de chegarmos fora de horas. Mas é muito desagradável que, pelo facto de não quererem trazer o relógio certo, as pessoas percam o barco e contribuam para que também outras fiquem em terra.

É claro que isto de acertar o relógio impõe deveres a quem manda e a quem obedece.

Quem manda deve colocar acessíveis as suas orientações, e é pena que a Carta do Papa tenha sido divulgada inicialmente apenas em italiano, como é pena que nem sempre se cuide da linguagem em que se fala ou se escreve. Se a mensagem não chega ou chega de forma que as pessoas a não entendem…

Para andar com o próprio relógio certo o comum dos cidadãos necessita de poder conhecer atempadamente as horas do relógio padrão.




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