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A amizade é um bem a preservar

A amizade é um bem em extinção e como tal é preciso preservar o pouco que há, tentando multiplicá-lo, para que haja menos ingratidões no meio daqueles que branqueiam a amizade, através de atitudes hipócritas, mantendo o outro enganado numa relação completamente egoísta à espera de colher algo.

N/D
14 Out 2004

Infelizmente, tantos casos poder-se-iam relatar por esse mundo além, mas vamos frisar apenas alguns que considero mais relevantes:

Haverá amizade sincera, na maior parte de alguns políticos, quando se aproximam as eleições e as feiras, festas e romarias, mercados… ficam apinhados de gente do mundo da política que frequenta estes locais só nessas alturas com uma simpatia inigualável, difundindo sorrisos teatrais, irradiando beijinhos e abraços, prometendo mundos e fundos para posteriormente, no poder, tudo se desvanecer?

É evidente que não se pode generalizar. Há pessoas que andam na política com convicções, mantendo sempre a mesma postura em quaisquer circunstâncias, defendendo sempre os seus eleitores em todos os momentos. São estas que ganham credibilidade, conseguindo grandes vitórias, tanto na política, que é uma passagem, como na vida.

Ser amigo de alguém só por ser da mesma cor política e que o apoiou na candidatura a um determinado cargo não é o verdadeiro valor da amizade, porque esta deve ser desinteressada. Eu posso ter grandes amigos de ideologias completamente opostas, mas quando chegar a hora da verdade em que há convicções a preservar não vou deixar o meu amigo só por ele ser coerente com a sua própria consciência.

Por vezes, o elenco de uma lista de um mesmo partido não é um conjunto de amigos, mas sim de pessoas que seguem as mesmas crenças em determinada ideologia ou programa político ou, então, sôfregas de um “tacho”. Estão, muitas vezes nesses lugares, à espera de uma fraqueza do seu colega para poder subir e ocupar lugares de topo. Quantas vezes isso acontece!… Podemos dizer que houve ali amizade?

Que interessa chegar a um cargo político, seja ele qual for, e desprezar os seus amigos? O melhor, e sempre o mais ideal, é conjugar as duas situações e nunca pensar que aquele cargo suplantou tudo e todos e já pensar que pode viver apenas com ele, imaginando que já é um super-homem prestigiado e que todos têm de lhe prestar vassalagem, caso contrário ficam alheados e desprovidos de qualquer pretensão.

Os cargos não são vitalícios e os amigos leais podem ser, por isso conservemos os nossos autênticos amigos e nunca os troquemos em quaisquer circunstâncias. A amizade deve estar sempre presente nos bons e maus momentos da vida.

Quantas pessoas, falando no sentido inverso do referido, se fazem amigas só enquanto determinado indivíduo exerce ou desempenha um cargo influente ou então querem benefícios chorudos e se não os obtiverem tornam-se inimigas, não olhando sequer aos dissabores que essas contemplações poderiam ter na vida dessas individualidades? Não sejamos egoístas, pensemos também no outro, peçamos aquilo que é viável e que por lei se pode fazer e nunca contribuamos para meter em apuros o nosso semelhante.

Ter amigos é, para mim, um dos grandes tesouros que se podem encontrar neste mundo tão comodista! Avaliar um verdadeiro amigo leva algum tempo, mas quando se chegar à conclusão que realmente se está perante esse bem que rareia tanto, há que acolher essas pessoas e mantê-las dentro do círculo de amigos, onde se realçam atitudes amistosas carregadas de uma reciprocidade desinteressada.

Nunca abandonemos um amigo em quem depositamos a nossa confiança, antes pelo contrário, façamos sempre mais com as nossas autênticas atitudes humanas.




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