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A cegueira e o ódio em política

Que os políticos vejam com objectividade e seriedade as realidades, em vez de as calarem ou negarem, quando pertencem ao adversário

N/D
13 Out 2004

A aceitação, por parte de Durão Barroso, da nomeação feita pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia não agradou à «esquerda» política portuguesa que aproveitou a oportunidade para manifestar profunda revolta política à governação de centro-direita.
A «esquerda» ignora todo o trabalho feito nos dois anos decorridos. Alberto João Jardim, em entrevista recente, realça, porém, o alcance das medidas que foram tomadas: «Os sacrifícios que os portugueses, nos últimos dois anos, tiveram de passar, sem qualquer outra alternativa possível, permitiram colocar agora Portugal numa situação financeira credível, internacionalmente reconhecida, que abre portas a um respirar mais desafogado, dadas as melhores condições para o investimento, para a criação de postos de trabalho e para a recuperação gradual do poder de compra, com as inerentes repercussões no mercado».

Com larga maioria, Durão Barroso foi confirmado pelo Parlamento Europeu como Presidente da Comissão Europeia. Tal facto, em vez de ser motivo de orgulho para todos nós, causou engulhos na esquerda, tendo alguns dos seus deputados votado contra.

Dentro do país, a mesma esquerda tudo fez para que o Presidente Sampaio dissolvesse o Parlamento e convocasse eleições legislativas. Não foi esse o parecer do Presidente, apesar de muito pressionado. Resolveu, sim, encarregar o partido mais votado, uma vez garantido o apoio maioritário no Parlamento, pois que a coligação se mantinha estável, de apresentar o nome do que indigitava para primeiro ministro.

Foi assim que surgiu o nome de Santana Lopes. E desde a primeira hora contou com a oposição feroz de toda a esquerda. Nem o tradicional período de 100 dias de «estado de graça» lhe concederam.

Mas a política tem os seus caminhos. E estes, na Europa livre, têm apontado para coligações.

Entre nós, a divisão entre direita e esquerda tem dado azo a ataques ferozes da esquerda que não renuncia a quaisquer meios para alcançar o poder, pois o deseja a todo o custo. Veja-se para onde o Partido Socialista levou o País e como impediu com a má governação que fez que o Governo que lhe sucedeu, de Centro-Direita, pudesse apresentar programas de construção nacional, pois teve, ainda, de pagar a má governação socialista.

Portugal vive num momento histórico difícil, que os portugueses não apreciam devidamente. A esquerda quer o poder, mas os factos não comprovam a eficácia da sua governação no estudo sério e resolução consequente dos difíceis problemas que o País enfrenta. Na sua visão política está presente o adversário político, que deseja fora da governação, e não os trabalhos a realizar a bem dos portugueses.

Que fazer? Que os políticos vejam com objectividade e seriedade as realidades, em vez de as calarem ou negarem, quando pertencem ao adversário.

Vem o País de uma grave crise que os socialistas lhe deixaram, e o governo procurou resolver os problemas. Mas não tiveram oportunidade política nem tempo para tão ingente tarefa. Que vai acontecer agora? Temos novo governo, mas assediado por todos os lados, pois parece ninguém querer reformas que exigem sacrifícios; temos os socialistas com novos dirigentes e fortes promessas, muitas delas demagógicas; temos as previsíveis alterações na Direcção do Partido Comunista, e temos a restante esquerda a tentar comprometer a acção do Governo. Este parece disposto a agir, mesmo que tenha de desagradar a muitos.

Não nos esperam tempos fáceis. Ver-se-á a verdadeira têmpera de quem está encarregado de governar o País.




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