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O Telelixo está de volta: a quinta das celebridades

A televisão existe para dar dinheiro, apenas para o lucro. O que não posso concordar é que, para atingir esse objectivo, se sirvam, de uma forma vergonhosa, do ser humano,expondo-o a impactos e sensacionalismos

N/D
12 Out 2004

Andava eu tão contente, depois de ter acabado o “Big Brother”, o “Bar da Tv” e programas afins, quando dou por mim já novos programas do tipo, andam aí de novo. Falo da “Quinta das celebridades”.

Um programa com algumas celebridades, em decadência, como por exemplo a participação de um actor de filmes pornográficos ou então figuras do Jet Set no mínimo pedantes, que vêem aqui uma forma de voltar à ribalta, ao “Show Off” televisivo.

Um concurso, sem quaisquer escrúpulos, que indigna quem quer continuar sóbrio e a ver televisão sem “morrer intoxicado” com telelixo.

Pois é !… A manipulação de sentimentos, de jovens anónimos, como o Big Brother teve como resultado o que aconteceu ao Zé Maria… Vamos ver, agora, com estas celebridades, como é que isto vai acabar.

Na minha opinião, a Alta Autoridade Para a Comunicação Social (que, por vezes, não sei para que é que serve) já devia ter posto um travão a este tipo de programas. O governo, que deveria zelar pelo interesse público, há muito já deveria ter criado uma lei específica para acabar com estes ataques à dignidade para acabar com esta degradação.

A televisão existe para dar dinheiro, apenas para o lucro. O que não posso concordar é que, para atingir esse objectivo, se sirvam, de uma forma vergonhosa, do ser humano, expondo-o a impactos e sensacionalismos.

A TV é cada vez mais, uma guerra de audiências, um fenómeno sócio-económico, que cada vez é menos “sócio” e mais “económico”. Cada vez pior e com menos qualidade.

Este programa até coloca as ditas “celebridades” a tratar de animais, servindo-se das mesmas como marionetas, colocando os seus rostos permanentemente sob holofotes, vulgarizando os seus gestos, expressões, passos, fazendo-os viver, dia após dia, a representar uma farsa que tem tanto de improvisada, como de medíocre.

Vamos lá ver se vai haver envolvimentos, sexo, violência e todos os mais comportamentos anormais porque, se assim for, melhor ainda. É disso que o povo tanto gosta e a produção também.

Sou um optimista por natureza, mas estou preocupado. A auto-estima e outros valores, como a privacidade, que ainda há bem pouco tempo nem sequer eram postos em causa, foram esquecidos.

O país rendeu-se aos que trocaram, por valores mercantilistas, a sua privacidade. Um ataque à intimidade, formalizado com um contrato e tudo.

Quando será que as pessoas entendem que este tipo de programa não passa de um negócio?

Um contrato em que uns tantos abdicam da sua privacidade, para que outros a possam, tranquilamente, “violentar”, de preferência com o maior número possível de espectadores e de lucro.

Para mim seria provavelmente mais cómodo assistir, calado e resignado, a estes telelixos a que o Bispo de Liverpool apelidou de “Zoo Humano”. No entanto, e apesar de com este meu texto dar alguma importância, a este tipo de programas, faço-o com o objectivo de contribuir para uma consciencialização do balanço negativo, gerado por este tipo de programação, principalmente nas nossas crianças e adolescentes.
Caro leitor, espero que quem pode e quem manda perceba isto um dia.




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