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Não terei o direito de saber?

Confesso que estou impertinente, com pressa de saber o que não sei… Gostaria de saber, sem sombra de dúvidas, se o Governo realmente pressionou a administração da TVI para calar Marcelo e, em caso afirmativo, de que modo, por quem e com que argumentos o fez. Ou se foi a administração da TVI a tomar a iniciativa, avaliando-a como eventualmente frutuosa para os seus negócios, mesmo correndo o risco de ingressar no elenco das “santanetes”.

N/D
10 Out 2004

Gostaria de saber, pois, o que disse Paes do Amaral ao Professor e quais os esclarecimentos que este terá exigido – se é que exigiu algum e tentou manter o formato e o conteúdo da sua intervenção dominical.
Gostaria de saber porque se apressou o Presidente da República a ouvir o comentador. Presumo, naturalmente, que o fez em função do cargo e não por mera curiosidade pessoal; e só por isso gostaria de saber se Marcelo lhe disse coisas tão corriqueiras que o PR nos deveria de imediato sossegar; ou se, afinal, lhe fez revelações tão graves que possa considerar-se ainda mais estranho o silêncio de Belém.

Gostaria de saber porque se cala Marcelo perante todos quantos o ouvíamos com agrado, mesmo discordando aqui e ali. O Professor sabe, com certeza, que é mais urgente servir-nos a verdade que as opiniões…

Gostaria de saber porque é que no Parlamento há sempre alguém que não quer ouvir todos os intervenientes num “caso”, como se a verdade fosse, de facto, tal qual o azeite e não precisasse de ser ajudada a vir ao de cima.

Gostaria de saber se só agora descobriram suas excelências a opacidade entre os patrões dos media e o poder político e se não sabem que também há opacidade entre o mesmo poder e jornalistas não patrões.

Gostaria de saber se há assim tantos inocentes que possam atirar a primeira pedra das pressões, quando não falta quem grite pela liberdade de expressão, mas telefone mal abre o jornal à mesa do café ou alguém, pago para isso, lhe faz chegar um recorte “suspeito”.

E com que pressa esses paladinos da liberdade dão instruções ao seu gabinete jurídico para que veja se há, no escrito X ou Z, alguma linha por onde se pegue.

Aliás, o melhor é pegar de qualquer modo, porque à força de ser chamado, uma vez e outra, à Praça da Justiça, até pode ser que o jornalista passe a omitir o óbvio…

Gostaria de saber ainda mais coisas. Mas fiquem apontadas apenas estas, com uma pergunta: não terei o direito de saber? Não teremos todo o direito de saber?

Quanto às pressões, é claro que não são novidade: qualquer profissional que vá além de uma folha de domingo sabe que são mais que muitas. Descaradas e autoritárias umas; dissimuladas, indirectas e quase meigas, outras. Iníquas, todas…




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