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Que acha da taxa?

Toda a gente conhece os motivos que levaram o governo, já nem sei qual, a criar as taxas moderadoras nos hospitais. Na altura, concordei.

N/D
9 Out 2004

Atenuava-se, assim, aquela obsessão de “estar doente” a qualquer hora do dia ou da noite, só porque se comeu ou bebeu a mais ou se lhes encravou uma unha. Passava-se, assim, a ter mais considerações pelos médicos e pelos verdadeiros doentes.
Este governo, porém, exótico até ao patético, quer alterar as coisas. “Quem mais ganha, mais terá de pagar”- diz o doutor Santana Lopes. E eu pergunto-lhe: quem mais ganha, ou quem mais declara?

É desse modo que conta combater a evasão fiscal e repor a justiça? Não sabe que os ricos não vão aos hospitais e são os que menos impostos pagam?

Quer acabar com a classe média (particularmente a dos funcionários do Estado) em Portugal?

Mais uma vez, será a classe média que vai pagar essa sua ideia mirabolante de regular as taxas, pela apresentação do impresso do IRS.

Já falhou, e continua a falhar, no pagamento das propinas na universidade. Só será válido a dos funcionários públicos e das pessoas com consciência, porque verdadeiro.

Mas para que lhe digo isto se o senhor sabe que é assim? O senhor é inteligente. Habilidoso, ora precipitado ora indeciso, ora diz ora desdiz, ora bajula ora atira pedradas. Tudo ao seu jeito, tudo por si.

Só por si faz o que faz. Mas, contudo, não nos menospreze, a nós, pessoas comuns. Não nos considere destruídos e não nos faça crer que acredita que nós, tansos, cremos em si. Não senhor!

E se isto continua, não tarda que em Portugal surja um Brasil em ponto pequeno: meia dúzia de muito ricos e os restantes… indigentes. Mas olhe que pobre não paga imposto. E se rico também não… Conclua o senhor, com a sua inteligência.

Então, para quando o combate à evasão fiscal? É com isso, prioritariamente, que o senhor deve preocupar-se.

Não ande a tirar roupa aos que já têm frio. Isso dar-lhe-à, apenas, algumas migalhas. Vai arranjar inimigos? Pois vai, mas isso não deve preocupá-lo. Não diz o senhor, muitas vezes, que está ao serviço dos Portugueses, do país, do povo português? Então sirva-o, que é para isso que lhe pagam. Ponha ordem em toda essa gente que fervilha à sua volta! Não os deixe abusar. Não deixe que façam experiências malucas connosco!

Olhe esses senhores ministros da (des)educação e conclua por si. Mas eu vim falar da taxa moderadora.

Não quero afastar-me. Se me perguntam, portanto:
– O que acha da taxa?
– Um perfeito e rematado disparate – terei de responder.




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