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Outro ponto de vista…

O mercado livre tem regras, não deve ter como regra a ausência de critérios de decência, pelo menos de decência intelectual

N/D
8 Out 2004

A ausência social de elites, referentes importantes para a prossecução de objectivos mais vastos, é sintoma negativo na nossa actual sociedade.
A saída de cena do reputado professor, político e analista Marcelo Rebelo de Sousa deve merecer de todos nós uma análise mais cuidada.

Os tempos de hoje, os do “prime time”, são preenchidos com tão falta de elevação que até há quem considere celebridade a mais perfeita imbecilidade.

Esses sim, os programas obscenos, deveriam merecer das entidades reguladoras uma resposta adequada.

O mercado livre tem regras, não deve ter como regra a ausência de critérios de decência, pelo menos de decência intelectual.

A empresa de televisão privada que contava com os comentários do professor conseguia ter o melhor e o pior.

Vejamos.

Muitas vezes não concordei, nem me revi nas opiniões proferidas pelo Professor Marcelo.

Mas reconheço, aliás é quase universal, o valor sustentado das suas opiniões. São opiniões pensadas, articuladas, proferidas, mesmo, com a sabedoria de um verdadeiro Professor.

O que nos foi dado a assistir foi um exercício do que de pior pode fazer quem está momen taneamente no Governo: tentar criar escolhos a quem apenas e só tem a sua força na razão das suas ideias.

Ficamos todos a perder. Mesmo aqueles a quem semanalmente Marcelo presenteava com a sua ironia aspectos pouco abonatórios. Até esses ficam, também, mais pobres.

O exercício livre do pensar não pode ser coarctado; a explanação, às vezes utópica, de algumas ideias não pode ser impedida.

Um país, às vezes mais pequeno do que a história nos permitiu ser, não pode dispensar homens do calibre intelectual de Marcelo Rebelo de Sousa.

Um país que troca uma presença polémica, mas autêntica, culta mas acessível, por uma qualquer feira de celebridades, montra da mais perfeita das imbecilidades, não pode estar no caminho certo.

Se calhar urge o tempo de mudar algumas coisas.

Não quero aceitar que neste Portugal que amo e que acredito se continue nesta vereda para coisa nenhuma…




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