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Tudo a bem do sistema

O atraso na colocação de professores tem merecido honras na comunicação social, contribuindo para uma menor publicidade de outros assuntos, porventura também merecedores de comunicação e discussão pública.

N/D
7 Out 2004

O que falhou, quem falhou e possíveis inquéritos já não merecem ou criam expectativas nos portugueses, habituados a que normalmente os responsáveis arranjem sempre uma justificação e a culpa raramente tenha efeitos.

A verdade é que aconteceu algo que não devia ter acontecido e os alunos serão as vítimas dum sistema que funcionou tarde e mal, embora poucos admitam ter alguma responsabilidade.

Mas o sistema não é apenas este; ele é demasiado complexo e contradiz-nos mesmo quando comparado com o texto da nossa Constituição «Todos têm direito à educação e à cultura». E novamente se atribui importantes tarefas ao Estado para a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais, de solidariedade e responsabilidade para o progresso social e participação democrática na vida colectiva.

Os princípios até são bons, mas a prática é complicada, senão vejamos: Como será possível suportar os encargos com um aluno num curso superior? Certamente sai caro e cada caso é um caso; mas livros, fotocópias, propinas e alojamento são um somatório de euros que não está ao alcance do salário de um trabalhador, mesmo da classe média, e repare-se não incluí alimentação, transportes e vestuário! Porque os apoios são reduzidos, é realmente um sacrifício para os portugueses manter filhos a estudar, quando os salários são baixos e as despesas não param de aumentar.

Creio que o actual sistema educativo não contribui para que todos possam ter acesso à educação e à cultura; torna-se selectivo e propício a que só alguns possam prosseguir os seus objectivos e parece pôr em causa critérios que visam igualdade e solidariedade. Entre o que se pretende e a realidade, surgem dificuldades que impedem muitos jovens de prosseguir os seus estudos.

Reconhecemos que o país necessita de fomentar a educação, cultura e progresso; pretendemos formar cidadãos capazes de competir num mundo em permanente evolução, mas parece nada ou pouco facilitarmos àqueles que sonham e gostavam de estudar.

O poder de compra dos portugueses já não permite que a maioria compre jornais ou revistas; e que pensar de livros ou viagens de estudo? Com livros caros, ensino caro e reduzido poder de compra, ninguém imagina que o cenário na educação e cultura vá melhorar.

Querer não chega, é necessário criar incentivos, motivação e condições para o desejado desenvolvimento. O ter direito só faz sentido quando enquadrado no todo social, com apoios capazes de permitir que a propina, não seja motivo ou causa para um aluno deixar de estudar…




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