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Os resultados do “ranking” das escolas…

Quem vê o panorama intelectual do país, avaliado pelo resultados das escolas, sente-se desolado. No meio do pântano e deserto intelectual, aparecem alguns oásis no ranking do oficial e nas privadas, especialmente de coordenação eclesiástica.

N/D
5 Out 2004

Sabendo que estas nem sempre terão os melhores alunos, mas talvez os mais acompanhados e de capacidade económica, será de perguntar se os professores terão tanta razão para fazerem barulho, quando muitas das escolas públicas mais parecem um sorvedouro do erário público, com pouca qualidade e resultados muito negativos.
De facto, a contra-prova ou de aferição, a nível nacional, leva-nos para conclusões paradoxais, uma vez que a maior parte dos alunos baixam nos exames finas as suas médias classificativas. Se atendermos a outros critérios e um certo favor, o que se verifica é um desastre…

Acrescem ainda as despesas dos livros, como a variedade e diversidade existente, que não sei se contribuirá para a variedade frutífera e salutar, se para uma dispersão de matéria, nem sempre aferida com os mesmos objectivos e nos mesmos parâmetros.

Em idade escolar, o aluno não é ainda capaz de discernir o que se passa nos bastidores, nem o que se pretende com determinados objectivos por falta de sentido critico. Por isso, é presa fácil de idiossincrasia, ideologia, como terreno permeável a influências, que se encobrem num ensino neutro, por vezes impessoal, pouco acompanhado, quer pelos pais quer pelos professores.

Não estaremos a criar os factores de mais subdesenvolvimento, a concitar nova pobreza, não bastando a que mostramos, entre os níveis europeus, à beira da Turquia? Como chegamos a isto, se somos o país que mais tem investido na cultura e criou mais escolas oficiais, universidades públicas e privadas?

O problema não estará na multiplicação, mas na qualidade do que se ensina, no empenho, motivação e interesse de alunos, pais e professores. As escolas particulares, como os seminários eclesiásticos, eram ainda um factor neutralizador no deserto intelectual de um ensino público, outrora apenas para ricos e privilegiados.

Com a democratização da escola pública, forjou-se um caldeirão comum, em que não vai longe o tempo em que muitas escolas oficiais serão fechadas como alguns hipermercados na Europa até pela falta de natalidade.

Toda a formação, que se baseia apenas em números, massificação, impessoal e obrigatória, acabará por ruir, como os resultados nem sempre serão benéficos, concitando frustrações em milhares de alunos, que não terão emprego, como não serão facilmente recicláveis.

Os grupos económicos, que criaram as suas escolas próprias e empregaram os seus filhos, e filiados podem ser, no futuro, um loby a permitir guetos de privilegiados, económica e intelectualmente, mas altamente benéficos, embora elitistas, no panorama intelectual vigente.

Será que vão assumir o papel que outrora era dado às escolas eclesiásticas e de congregações religiosas? Mesmo assim, qual a dívida, valor e crédito que o Governo lhes concede, não sendo subsidiadas? Vê aí apenas uma fonte de receita e de impostos, ou uma competitividade salutar?

Nos países mais ricos da Europa acontece o mesmo: são ainda os institutos e escolas da responsabilidade da Igreja as mais cotadas. No entanto, algumas reservam-se mais para o ensino superior como as universidades, que começaram a baixar de nível, falando-se hoje mais de escolas elitistas e de super-dotados.

O que é pena é que se procurem estas escolas mais pela reputação, qualidade e capacidade económica, do que pela formação e pelo universo cultural e cristão que veiculam.

Por isso as temos, por vezes, tão agnósticas como as outras e alguns professores, como meros funcionários, com conduta e nível moral fora dos âmbitos e dos princípios que defendem.

Não estaremos a ser instrumentos de dispersão, desunião e de incoerência, numa sociedade cada vez mais secularizada, a perder referências cristãs?

Talvez seja o momento de estarmos mais atentos e de sermos mais exigentes nas propostas que fazemos ou nos fazem, como nas camadas de jovens que formamos – militantes potenciais no futuro de outro tipo de sociedade -, dinâmicos, activos e mais empenhados pela formação que receberam.

Aí está o grande desafio para uma Igreja, cada vez mais anémica e com menos influência na sociedade, mas que se regenera no seu interior e retira novas forças e potencialidades.

Serão capazes de transformar um país à deriva, como se mostra através dos resultados das suas escolas, sobretudo oficiais, que mais parecem um alfobre a criar frustrados e candidatos ao desemprego, ministrando ainda cursos sem sentido ou ultrapassados no mundo em que vivemos. Onde estará a fonte do desassossego?!…




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