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Educação e natalidade

Como podemos entender a submissão destas pessoas a serviços “incompatíveis” com a formação recebida? Até onde irá a exploração destes novos escravos? Como integrá-los no nosso país?

N/D
4 Out 2004

Nas jornadas da comunicação social, que decorreram recentemente em Fátima, ouvimos que a alta cotação educativa não vale como critério para avaliar o nível cultural e de vida média de um povo. Como exemplo referia-se que os “nossos” imigrantes vindos de Leste da Europa têm uma boa instrução – nalguns casos de classificação superior – mas isso não impediu, antes parece que promoveu, a sua emigração, numa busca de melhores condições de vida para si e as suas famílias.
De facto, é habitual ouvir-se falar que há médicos, engenheiros, músicos, militares… a trabalhar nas obras ou ainda enfermeiras, professoras… a fazer limpezas ao domicílio ou como empregadas de restauração! Com tanta instrução o que falhou? Como podemos entender a submissão destas pessoas a serviços “incompatíveis” com a formação recebida? Até onde irá a exploração destes novos escravos? Como integrá-los no nosso país?

Por outro lado, há dados que apontam para que algum do rejuvenescimento da população portuguesa está a passar também pelo contributo dado também por imigrantes, particularmente vindos de África e da América Latina.

Os filhos entretanto nascidos parecem equilibrar a acentuada descida da natalidade, que só desde a década de sessenta do século vinte passou de 3,1 filhos por mulher para 1,4. E nesta observação demográfica é importante saber antes quantas filhas nasceram do que os filhos, pois daquelas nascerão novas vidas enquanto destes nem sempre isso acontece!

* Quando se ouve dizer que o consumo de drogas tem nas escolas a sua melhor clientela, como poderemos sentir que as crianças/adolescentes e jovens estão capazes de construir um futuro de esperança? Quando sentimos, por entre um certo clima de decepção, que os responsáveis da prevenção das drogas encolhem os ombros e assobiam em distracção, como poderemos acreditar que está a ser feito tudo com seriedade e competência? Quando vemos que são os professores quem tenta subverter as cláusulas de colocação através de atestados médicos viciados, como poderemos acreditar que as escolas estão a preparar mulheres e homens com respeito pelas regras colectivas?

* Quando se faz da campanha do preservativo a “melhor” proposta de educação sexual, não estaremos a educar pelo mais fácil? Certas campanhas em favor do aborto não esconderão a incapacidade de tantos educadores em transmitirem valores espirituais àqueles/as – filhos, alunos, catequizandos – que lhes estão confiados?

O Papa João Paulo II, na sua mensagem para o próximo dia mundial do doente (11 de Fevereiro de 2005), diz: «Para combater a sida de uma maneira responsável, é preciso aumentar a prevenção pela educação para o respeito do valor sagrado da vida e a formação para uma prática correcta da sexualidade»… As doenças sexualmente transmitidas «podem ser evitadas, sobretudo através de uma conduta responsável e do respeito pela virtude da castidade».

Estaremos – sobretudo os adultos – capazes de entender esta linguagem? Não andaremos atrasados intelectual, social e eticamente? Até onde irá a capacidade de vivermos – pessoal e comunitariamente – guiados por valores evangélicos de sempre?

Chegou a hora da coerência!




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