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Democracia e paninhos quentes

Cerca de 120 milhões de brasileiros elegem, hoje, quase seis mil presidentes de câmara (prefeitos). Se se confirmar uma sondagem anteontem citada pela agência Lusa, a abstenção vai ser grande, pois que apenas 38 por cento dos eleitores confessam algum interesse pelo acto.

N/D
3 Out 2004

Razões? Os quase 400 mil candidatos não terão primado pela abundância de ideias, há muitas denúncias de corrupção e sobram alianças sem conteúdo ideológico. Enfim, nada que não sejamos capazes de compreender…
Entretanto, o acto eleitoral deste domingo revelou, mais uma vez, o dinamismo da Igreja que está no Brasil: promoveu debates entre candidatos, publicou mensagens sobre a democracia e a corresponsabilidade e, nestes últimos dias, uma nota onde – uma vez mais – se toca a tecla da corrupção, exigindo que se lhe dê um combate sem tréguas.

«Infelizmente, ainda há candidatos que acham normal comprar votos de eleitores, como há eleitores que aceitam trocar seu voto por algum favor do candidato, ignorando que o voto não tem preço, tem consequências», diz o texto, assinado pelo presidente, vice-presidente e secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Num alerta aos cristãos, o texto sugere que tenham em atenção «as propostas do próprio candidato, o comportamento ético e o respeito pelo pluralismo cultural e religioso, o compromisso com a justiça». Outros critérios a ter em conta são a honestidade, a competência, a liderança, a transparência e a vontade de servir o bem comum».

«Sejam escolhidos candidatos que tenham uma prática social, lutem pela justiça, defendam a vida humana em todos os seus estádios e não compactuem com a corrupção», recomenda a CNBB.
Por fim, o documento volta-se para os que forem eleitos, chamando a atenção para um ponto essencial: uma vez escolhidos, têm de estar ao serviço de todos e não apenas dos seus correligionários.

Mesmo correndo o risco de serem acusados de se meterem na política, penso que os bispos brasileiros fizeram muito bem ao lançarem todos estes alertas. Ao menos não sofrem dessa espécie de pudor que se fica nas meias tintas, na defesa da chamada “convivência” que, para não aborrecer César, assobia para o lado quando se cruza com a verdade.

Assentemos numa coisa: não pode haver subsídio que (a)pague a honra!… Deixemo-nos, pois, de paninhos quentes…




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